Agora, Israel anuncia a invasão total da Faixa de Gaza. Vai varrer toda a população que está na cidade e ocupar áreas urbanas onde os cativos devem estar localizados. Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior do exército israelita, avisou o gabinete de segurança do Governo que a conquista total de Gaza colocaria em perigo a vida dos prisioneiros. “Quanto mais nos aproximarmos de áreas sensíveis, maior será o risco para os reféns”, reconheceu, sem deixar de apoiar a escalada.
Também o Hamas advertiu que o plano israelita colocará os prisioneiros restantes em perigo mortal. “Os planos de Netanyahu para expandir a agressão confirmam, sem margem para dúvidas, que ele procura livrar-se dos seus prisioneiros e sacrificá-los”, declarou o grupo de resistência palestiniano.
Para os membros mais influentes do governo messiânico-fascista de Israel, os cativos representam um obstáculo final à agenda da “vitória total”, que só pode ser cumprida com a derrota do Hamas, a anexação de Gaza e a expulsão de grande parte da população palestiniana. Bezalel Smotrich, o fanático ministro das Finanças que forma o eixo da coligação de Netanyahu, disse mesmo que libertar os cativos através de negociações “não era a coisa mais importante”.
O Canal 13 de Israel noticiou a 7 de agosto que Smotrich sabotou um acordo de reféns negociado entre os serviços secretos israelitas e o Hamas, para desencadear a próxima carnificina em Gaza, mesmo se estavamos perante um cessar-fogo mediado pelos EUA. Sem reféns israelitas em Gaza, a extrema-direita israelita acredita que o Hamas perderá a capacidade de negociar seja o que for.
Sacrificar os seus próprios cidadãos, não é novidade em Israel. Quando implementaram o “Código Hannibal” em 7 de outubro de 2023, percebeu-se que o objetivo das ordens de fogo livre, que levaram à destruição de dezenas de veículos onde seguiam reféns israelitas, era limitar a capacidade do inimigo. Para o Governo e o Exército israelitas, vale matar os que podem ficar reféns do inimigo.

Nos meses que se seguiram, ataques israelitas mataram pelo menos 20 prisioneiros dentro de Gaza e feriram ou ameaçaram dezenas de outros, de acordo com uma investigação do Haaretz. O jornal israelita não incluiu a mulher e os filhos pequenos de Yarden Bibas, um ex-prisioneiro que reconheceu durante o cativeiro que a sua família tinha sido morta por um ataque aéreo israelita.
Para o governo de Israel, o punhado de cativos que permanecem dentro de Gaza é um obstáculo político inconveniente. No caminho para a “vitória total” contra o Hamas, esses cidadãos israelitas também podem ter que ser sacrificados.
(artigo adaptado de Grayzone)



