MATAR TODOS OS REFÉNS SERÁ O PREÇO DA VITÓRIA

Em junho de 2024, depois de o exército israelita ter massacrado mais de 200 civis em Nuseirat, Gaza, incluindo vários assassínios ao estilo de execução para libertar um único refém, Noa Argamani, as Brigadas Al-Qassam anunciaram uma nova política: se os soldados israelitas se aproximassem demasiado das áreas onde os prisioneiros eram mantidos, os prisioneiros seriam mortos. Israel não quis dar ouvidos a este aviso, o que levou à morte de seis reféns, dois meses depois.

0
969
imagem partilhada de https://thegrayzone.substack.com/p/israels-govt-may-seek-to-eliminate

Agora, Israel anuncia a invasão total da Faixa de Gaza. Vai varrer toda a população que está na cidade e ocupar áreas urbanas onde os cativos devem estar localizados. Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior do exército israelita, avisou o gabinete de segurança do Governo que a conquista total de Gaza colocaria em perigo a vida dos prisioneiros. “Quanto mais nos aproximarmos de áreas sensíveis, maior será o risco para os reféns”, reconheceu, sem deixar de apoiar a escalada.

Também o Hamas advertiu que o plano israelita colocará os prisioneiros restantes em perigo mortal. “Os planos de Netanyahu para expandir a agressão confirmam, sem margem para dúvidas, que ele procura livrar-se dos seus prisioneiros e sacrificá-los”, declarou o grupo de resistência palestiniano.

Para os membros mais influentes do governo messiânico-fascista de Israel, os cativos representam um obstáculo final à agenda da “vitória total”, que só pode ser cumprida com a derrota do Hamas, a anexação de Gaza e a expulsão de grande parte da população palestiniana. Bezalel Smotrich, o fanático ministro das Finanças que forma o eixo da coligação de Netanyahu, disse mesmo que libertar os cativos através de negociações “não era a coisa mais importante”.

O Canal 13 de Israel noticiou a 7 de agosto que Smotrich sabotou um acordo de reféns negociado entre os serviços secretos israelitas e o Hamas, para desencadear a próxima carnificina em Gaza, mesmo se estavamos perante um cessar-fogo mediado pelos EUA. Sem reféns israelitas em Gaza, a extrema-direita israelita acredita que o Hamas perderá a capacidade de negociar seja o que for.

Sacrificar os seus próprios cidadãos, não é novidade em Israel. Quando implementaram o “Código Hannibal” em 7 de outubro de 2023, percebeu-se que o objetivo das ordens de fogo livre, que levaram à destruição de dezenas de veículos onde seguiam reféns israelitas, era limitar a capacidade do inimigo. Para o Governo e o Exército israelitas, vale matar os que podem ficar reféns do inimigo.

publicado em AFINAL, QUEM MATOU QUEM?

Nos meses que se seguiram, ataques israelitas mataram pelo menos 20 prisioneiros dentro de Gaza e feriram ou ameaçaram dezenas de outros, de acordo com uma investigação do Haaretz. O jornal israelita não incluiu a mulher e os filhos pequenos de Yarden Bibas, um ex-prisioneiro que reconheceu durante o cativeiro que a sua família tinha sido morta por um ataque aéreo israelita.

vídeo

Para o governo de Israel, o punhado de cativos que permanecem dentro de Gaza é um obstáculo político inconveniente. No caminho para a “vitória total” contra o Hamas, esses cidadãos israelitas também podem ter que ser sacrificados.

(artigo adaptado de Grayzone)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui