LIBERDADE PARA O JORNALISMO

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Gaza é o palco de um genocídio onde se ensaiam novas armas e novos procedimentos táticos. Por exemplo, Israel testa novos drones que depois vende em feiras de armamento, um pouco por todo o mundo. E experimenta o apagão mediático, matando os jornalistas locais e impedindo que os estrangeiros entrem no território.

A experimentação com armamento tem sido fácil. Os militares israelitas não defrontam um exército. O Hamas é um grupo de guerrilha. Já o apagão é mais difícil de conseguir. Qualquer telemóvel é suficiente para gravar imagens e enviá-las para as redes sociais. É uma frente demasiado extensa que Israel não consegue controlar.

A censura militar israelita tem em execução a erosão da liberdade de imprensa. É um pilar da democracia que desaparece. A “única democracia do Médio Oriente” não existe, afinal.  

Mais de 200 jornalistas palestinianos foram mortos enquanto reportavam de Gaza. Mesmo se quando um cai, outro se levanta, a situação é insustentável para os sobreviventes. Os que continuam são verdadeiros heróis. Apesar do perigo inimaginável, da perda e da fome, eles continuam a documentar a guerra com uma coragem e profissionalismo extraordinários. Muitos perderam famílias inteiras.

Agora que boa parte dos países europeus decidiram reconhecer o Estado da Palestina, é fundamental que consigam obrigar Israel a deixar entrar jornalistas estrangeiros. Sobre isto, há uma petição em curso online, a FTR: Gaza Mission.

O objetivo não é substituir os jornalistas palestinianos, mas estar ao seu lado, complementar o seu trabalho e ajudar a garantir que o mundo continue a receber um relato completo e independente sobre o que se passa na Palestina. É também um modo de proteger o povo que está a ser vítima de genocídio.

Israel exercita-se no seu próprio manual do autoritarismo: controlar a narrativa, silenciar vozes independentes e cortar a ligação entre a realidade e a compreensão pública. Ao mesmo tempo, lança campanhas de desinformação e branqueamento por todo o lado, desde as redes sociais aos media institucionais até ao patrocínio de grupos desportivos, como é o caso da equipa israelita que participa na Volta a Portugal em bicicleta.

O autoritarismo floresce quando o mundo desvia o olhar, é a tática de Israel. Agora é o momento de reafirmar que a liberdade de imprensa não é opcional, não em Gaza, nem em lado algum. À medida que a desinformação se espalha e a propaganda domina, a reportagem independente, no terreno, torna-se mais essencial do que nunca.

Assinem a petição, é o mínimo que podem fazer.

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