TRUMP QUER VENDER ARMAMENTO

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Donald Trump recebeu cinco presidentes africanos na Casa Branca. Um encontro com pompa, sorrisos e declarações formais de amizade e parceria. Mas o conteúdo da conversa não foi tão diplomático. A proposta americana foi direta: os Estados Unidos querem explorar os minérios existentes nos territórios destes países e, em troca, propõem vender… armamento. Balas, drones, blindados, sistemas de vigilância. Um cardápio bélico, apresentado sem rodeios. A Casa Branca parece uma feira de material de guerra. Quando serão os saldos?

Nada de promessas de apoio ao ensino, à saúde ou à agricultura. Nada de referências à cooperação técnica, à luta contra a pobreza, às alterações climáticas ou à juventude africana. Para Trump, o continente africano é apenas um gigantesco depósito de recursos estratégicos – lítio, coltão, ouro, urânio, petróleo, gás, diamantes, ouro – alguns deles muito úteis para a indústria americana e para o seu complexo militar-industrial.

É um regresso brutal à lógica colonial mais crua, mas com o léxico do século XXI. Não se fala em “civilizar”, mas em “negociar”. Não se promete evangelização, mas contratos. O espírito é o mesmo: explorar, extrair e controlar. Só que agora, em vez de espelhos e missangas, oferecem-se balas e helicópteros.

Os líderes africanos presentes mostraram-se cordatos, agradecidos, sorridentes. Compreende-se. Estavam em Washington, foram convidados, são pessoas educadas, já Trump é conhecido por reagir mal a qualquer forma de contrariedade. Mas o silêncio diplomático nem sempre é cumplicidade. À porta fechada, é possível – e desejável – que muitos destes líderes estejam a ponderar os custos reais de vender recursos estratégicos em troca de instrumentos de repressão. Nenhum povo africano se alimenta de munições.

Este “modelo de negócio” é também um espelho daquilo em que Trump acredita: o mundo como um mercado bruto, onde tudo se pode comprar e tudo se pode vender. A democracia, os direitos humanos, a estabilidade, não entram na equação. O que interessa é saber quem extrai, quem fatura, quem vende.

África não é ingénua. A história ensinou-nos, a ferro e fogo, que quem entra apenas para tirar, cedo ou tarde, é expulso, com ou sem cortesia. A questão agora é saber que visão têm os líderes africanos para os seus países? Continuarão a aceitar negócios que reforçam a dependência, a desigualdade e o autoritarismo? Ou encontrarão voz e coragem para recusar ser cúmplices de uma nova era de pilhagem mascarada de “parceria”?

Trump com os presidentes do Senegal, Mauritânia, Libéria, Gabão e Guiné-Bissau

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