PSD NÃO SABE COMO RESOLVER A CRISE NA SAÚDE

0
1228

A crise no SNS, nas urgências hospitalares e nos centros de saúde, agravada pela deserção de médicos para o setor privado, não é nova – já era visível no tempo de António Costa. No entanto, desde que o PSD chegou ao governo, a situação tornou-se ainda mais crítica.

Quando estava na oposição, o PSD garantia que os problemas da saúde só persistiam porque o Governo da época era incompetente ou não queria resolvê-los. Afirmava que a solução era simples e que, assim que chegasse ao poder, tudo mudaria rapidamente. Afinal, era tudo mentira. Seria interessante que as falsas promessas políticas tivessem consequências. Mas, como sabemos, raramente são penalizadas – nem nas urnas, nem na memória coletiva.

Urgências Hospitalares: serviços limitados e encerramentos

Embora existam relatos mais antigos, em novembro de 2023 já se contabilizavam urgências hospitalares com funcionalidade reduzida, com constrangimentos regulares em ortopedia, ginecologia-obstetrícia, pediatria e cirurgia geral em dezenas de hospitais.

Num levantamento de agosto de 2024, identificaram-se 11 urgências encerradas em 9 hospitais, com destaque para Beatriz Ângelo (Loures) e Nossa Senhora do Rosário (Barreiro), cada um com dois serviços encerrados.

Todos os relatos denunciam um cenário persistente de subcapacidade estrutural e humana.

O INEM

É muito difícil concluir se a morte de um doente numa situação de urgência médica se pode atribuir a falhas do sistema. O problema foi levantado recentemente quando, coincidindo com uma greve do INEM, um doente morreu depois de ter esperado demasiado tempo pela ambulância.

A verdade é que os casos de atrasos no serviço de socorro multiplicam-se em fóruns públicos e reportagens jornalísticas.

Utentes sem médico de família

Os dados mais recentes mostram que, em maio de 2025, o número de pessoas sem médico de família chegou a 1 644 809, atingindo o valor mais alto no ano, um aumento de cerca de 80 606 utentes desde janeiro e 42 232 a mais que em maio de 2024.

No fundo, sem consultas nos centros de saúde, o caminho para as consultas hospitalares fica bloqueado, o que acaba por se tornar num alívio para os hospitais que, assim, têm menos doentes para atender e a engrossar a lista de espera para cirurgias e outros serviços da medicina hospitalar. Claro que isto também significa que passou a existir uma cifra desconhecida de casos de doenças que carecem de prevenção ou acompanhamento atento, doenças oncológicas, por exemplo. Ou seja, o falhanço do SNS ao nível dos centros de saúde mata gente.

O PSD prometeu soluções rápidas. Os números mostram o contrário: em vez de progresso, há promessas incumpridas e agravamento. A atribuição de médicos de família continua a falhar, a capacidade hospitalar diminui, e faltam medidas estruturais para travar o êxodo de profissionais para o setor privado.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui