DOMINGOS SIMÕES PEREIRA: UM PASSADO DE RUPTURA, UM PRESENTE DE FUGA

No dia 24 de julho de 2025, o cidadão Abduramane Djau decidiu endereçar uma carta de enaltecimento ao engenheiro Domingos Simões Pereira (DSP), apresentando-o como símbolo de estabilidade, esperança e visão para o futuro da Guiné-Bissau. Com todo o respeito pelas opiniões alheias, cumpre-me, por dever de verdade e consciência patriótica, desmontar essa construção artificial, baseada mais na propaganda política do que na realidade objetiva. Porque a política não se faz apenas de palavras bem escritas, mas de factos, comportamentos e consequências concretas.

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O Presidente que semeou a discórdia dentro do seu próprio partido

Domingos Simões Pereira nunca foi um verdadeiro militante do PAIGC no seu sentido profundo. Regressou ao país já com ambições desmedidas, um projeto pessoal e não coletivo. Ao assumir a liderança do partido, com uma visão estranha à cultura política do PAIGC, implantou o divisionismo, promoveu o revanchismo e eliminou todos os que ousaram questionar ou contradizer as suas posições.

Sob a sua presidência, o PAIGC deixou de ser uma força unificadora para se tornar um espaço de medo e purgas internas. Foi desta sanha autoritária e excluente que nasceram o MADEM-G15 e a FRESPANA. Se a sua liderança fosse de união, esses movimentos jamais teriam emergido.

Domingos herdou um partido com uma bancada parlamentar de 67 deputados — a maior da história recente — e conseguiu reduzi-la a 53, mesmo coligado. Este é o seu legado real: desunião, perdas políticas e a degradação interna do maior partido histórico da Guiné-Bissau.

Três Demissões, dois Resgates e várias Suspeitas

Enquanto Primeiro-Ministro, DSP foi demitido por três vezes. E não por divergências ideológicas, mas por fortes suspeitas de má gestão, envolvimento em casos de corrupção e condução negligente dos assuntos públicos.

O escândalo dos resgates financeiros foi o mais emblemático: duas operações financeiras obscuras, realizadas à revelia das normas de transparência e prestação de contas. A primeira podia até ser considerada um erro de avaliação. A segunda foi um insulto à inteligência do povo guineense.

Um líder com passado tão manchado por dúvidas não pode, em consciência, apresentar-se como o “símbolo da integridade política”, como o faz Abduramane Djau.

Refugiado na imunidade e ausente do território

Pior ainda: Domingos Simões Pereira, enquanto Presidente do PAIGC, evita responder à justiça escudando-se na sua imunidade parlamentar. Um verdadeiro combatente da liberdade – como aqueles que fundaram o partido de Amílcar Cabral – enfrenta a justiça de peito aberto e com dignidade. Quem teme, esconde-se. E quem se esconde, não inspira confiança.

O próprio Domingos confessou, publicamente, que não entra no país por receio de não poder sair. A pergunta impõe-se: que tipo de líder pretende governar um país quando não tem coragem de pôr os pés no seu solo natal?

Enquanto dirige o partido por videoconferência a partir de Lisboa, vai-se afastando cada vez mais da realidade do povo guineense, dos problemas concretos da juventude, da terra e da vida. Fala de longe, promete ao longe e governa – se é que governa – por procuração.

Suspeitas financeiras e falta de prestação de contas

Mais grave ainda, há registos de que DSP recebeu avultadas quantias de dinheiro do Governo de Angola e depositou-as na sua conta pessoal em Portugal, sem jamais ter prestado contas aos órgãos internos do PAIGC, nem aos seus militantes. Que tipo de liderança é esta? Onde está a transparência, a ética, o respeito pelas estruturas partidárias?

Esses atos comprometem seriamente a sua legitimidade moral e política para liderar o país. Um homem que gere um partido como se fosse uma empresa privada, que recebe fundos de forma opaca e que governa à distância, não tem condições éticas para ser o timoneiro de uma nação com tantos desafios.

Um candidato sem legitimidade moral para liderar a Guiné-Bissau

Perante tudo isto, a tentativa de apresentar Domingos Simões Pereira como um estadista é não apenas falaciosa, mas profundamente desrespeitosa para com os guineenses. A estabilidade que se proclama é instabilidade disfarçada. A esperança que se vende é marketing político.

A Guiné-Bissau precisa de líderes corajosos, enraizados no seu povo, com mãos limpas, consciência tranquila e presença firme no território nacional. Precisa de quem una, não de quem divida. De quem construa, não de quem destrua para se manter no topo. O povo guineense saberá, em momento oportuno, separar os verdadeiros líderes dos falsos profetas da democracia.

E a história — essa sim, impiedosa — não perdoará os que confundiram o seu projeto pessoal com o destino de uma Nação inteira

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