FRACASSO INDISFARÇÁVEL

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Os distúrbios em Luanda começaram ontem e provavelmente irão continuar durante mais algum tempo, uma vez que é muito difícil a polícia e o exército conseguirem controlar uma cidade gigantesca, cheia de musseques, com milhões de pessoas em mobilidade permanente, muitos sem residência fixa.

Mais do que a repressão, o que irá forçar as pessoas a abandonar os protestos será a necessidade de voltarem a ganhar o pão de cada dia. Na verdade, boa parte da população de Luanda acorda sem saber se vai conseguir comer nesse dia. Atiram-se para as ruas para tentarem vender alguma coisa a quem passa e ali vende-se de tudo, desde comida a gadgets e até mobiliário, qualquer coisa que se consiga comprar no chinês e transportar de rua em rua na ânsia de se conseguir revender com algum lucro.

A ironia é tudo isto estar a acontecer depois do Presidente João Lourenço ter dito que o Estado angolano já fez mais em 50 anos de independência do que o colonizador em 500 anos. Na verdade, Portugal foi um colonizador que não se preocupou muito com o desenvolvimento humano nas suas colónias, mas deixou um território produtivo, nomeadamente no setor agrícola, com infraestruturas, desde a ferrovia às estradas, mas tudo foi destruído nas décadas seguintes, em boa parte devido à guerra civil alimentada pela disputa entre superpotências, os EUA, a Rússia e a China.

Mas, para o Estado angolano, no momento em que preside à União Africana, ter uma revolta de esfomeados pelas ruas da capital é um fracasso indisfarçável.

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