JORNALISMO COLABORACIONISTA

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A notícia diz que “o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assinou este domingo um decreto para retirar a Ucrânia da convenção internacional sobre a proibição de minas antipessoais, conhecida como Convenção de Otava. A decisão acontece após mais de três anos de invasão por parte da Rússia, que utiliza estes explosivos.” Diz ainda que “A Ucrânia ratificou este tratado em 2005, mas a Rússia não fez o mesmo.”

Acontece que a Ucrânia tem, desde sempre, utilizado minas antipessoais e anticarro, mas isso já a notícia não diz. É uma arma utilizada com bastante frequência pelos ucranianos, principalmente as chamadas “minas-pétala” (PFM-1), proibidas pela Convenção de Otava por serem indiscriminadas e especialmente perigosas para civis, incluindo crianças. Isto foi amplamente documentado por organizações como a Human Rights Watch.

As “pétalas” são despejadas sobre ruas e jardins dos núcleos urbanos, através de obuses de artilharia que quando rebentam espalham dezenas ou centenas destes explosivos que são fácilmente pisados pelas pessoas. O perigo é maior para as crianças. Enquanto uma mina deste tipo decepa uma perna a um adulto, corta ao meio uma criança.

Logo em 2022, a utilização desta arma foi denunciada pelo representante da Rússia nas Nações Unidas, mas ninguém prestou atenção.

vídeo publicado em agosto de 2022

A Convenção de Otava de 1997, assinada por mais de 160 países, proíbe a utilização, o armazenamento, a produção e a comercialização de minas antipessoais. Mas não passa de mais uma farsa, uma vez que ninguém respeita este tipo de tratados, mesmo quando os subscrevem. O facto de Zelensky vir agora decretar a saída da Ucrânia desta convenção, não passa de hipocrisia. Durante anos, a Ucrânia violou a convenção que tinha subscrito, enquanto fingia estar a respeitar o tratado.

O uso indiscriminado de minas antipessoais em zonas civis é um crime de guerra, seja no Donbass ou na Palestina, em Angola ou no Vietname. A Ucrânia pode sair agora da Convenção de Otava, mas continua responsável por ações passadas. Os crimes de guerra não prescrevem nem são anulados. No entanto, a aplicação do direito internacional depende de quem vence a guerra.

O jornalismo engajado

O que mais estranhamos é as notícias no Ocidente serem tão tendenciosas. A imprensa ocidental não é homogénea nem está sempre errada, mas tem sido parcial e seletiva na cobertura das mais recentes guerras em que o Ocidente está envolvido, seja na Ucrânia ou na Palestina.

Não basta receber informação das agências internacionais, dos governos ou das páginas oficiais nas redes sociais de grupos e dirigentes políticos. É preciso cruzar informação, comparar fontes, ouvir os dois lados e ter memória.

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