LEMBREM-SE DO ‘MAGA’

Na guerra comercial dos EUA contra o resto do mundo.

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Alguns podem julgar que a atual guerra comercial dos EUA contra o resto do mundo se destina a acabar com a globalização. Devem estar enganados, o mais natural é Trump querer que a globalização seja favorável aos EUA e não a outros.

Usar tarifas alfandegárias para criar novos circuitos de produção é uma espécie de contradição. Se as tarifas também se aplicam a matérias primas ou a componentes industriais, a produção nacional não fica a ganhar nada. Isto é mero senso comum nada fundamentado em qualquer teoria económica.

Os EUA começaram por impôr tarifas sobre centenas de milhares de milhões de dólares em produtos chineses. Desde brinquedos aos eletrodomésticos, matérias-primas e componentes industriais como aço, alumínio, chips eletrónicos, tudo foi taxado.

O argumento de Trump é que a China “rouba empregos americanos”, subsidia as empresas exportadoras e rouba propriedade intelectual. Com as tarifas, os EUA querem forçar a China a negociar um comércio mais “justo”, além de incentivar empresas a produzirem dentro dos EUA ou noutros países mais “amigos”.

O pior é que muitas empresas americanas dependem de peças chinesas para montar os seus produtos, exemplos das fábricas de automóveis. Quando os componentes ficam mais caros, o custo de produção sobe, encarecem o produto final que perde competitividade. O consumidor é quem paga a conta, sejam produtos acabados importados ou de indústrias nacionais. O poder de compra vai abaixo e aumenta a inflação.

Trump atacou toda a gente, desde o vizinho Canadá aos sul americanos, os europeus, os asiáticos. A China retaliou, impondo tarifas sobre produtos americanos como soja, carne, automóveis. Ler o artigo de ontem.

A Europa também deverá retaliar, embora António Costa diga que seria preferível negociar. E é aqui que poderá estar o trunfo de Trump: negociar com os timoratos para evitar uma frente ampla contra os EUA e tentar isolar ao máximo a China.

Esta guerra comercial tem como objetivo o cumprimento da promessa eleitoral celebrizada pelo acrónimo MAGA (Make América Great Again), ‘voltar a fazer a América grande’. Não vai ser fácil, porque os adversários são poderosos, também. A primeira preocupação de Trump será criar novas indústrias no país e reabrir fábricas que fecharam por causa da globalização. Se esse batalha interna não for vencida, as externas também não serão.

Amanhã publicaremos novo artigo sobre este tema.

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