A propósito de um estudo do Banco de Portugal, a notícia diz que mais de metade dos trabalhadores portugueses ganha o salário mínimo nacional (SMN). Ora, um país onde mais de metade dos trabalhadores recebe o SMN, não pode dizer que tem uma economia saudável, mesmo se os níveis de desemprego não são elevados. Estamos a falar de um salário mínimo bastante baixo para os padrões europeus: 870 euros.
Sempre que o Governo anuncia um aumento do salário mínimo, o patronato ergue a voz em uníssono e ameaça com falências, clama por competitividade perdida, e profetiza uma vaga de desemprego que, curiosamente, nunca chega.
É quase uma tradição: o país avança um pouco na justiça salarial, e o discurso do medo é imediatamente ativado. Mas a verdade é outra. O que se confirma ano após ano é que as empresas não fecham em catadupa, a economia não colapsa, e o emprego não desaparece.
É a ganância dos patrões que mantém o trabalhador no limiar da pobreza, sem conseguir pagar uma casa, um cabaz de compras ou uma consulta médica. Se uma empresa só sobrevive à custa de pagar salários de miséria, então não é viável, é parasitária.
O problema está na ganância de quem se recusa a partilhar de forma justa os frutos do crescimento económico. O problema está na ‘cultura empresarial’ que prefere pressionar o Estado a valorizar o trabalho.

O EXEMPLO DE CAMPO MAIOR
Há um único exemplo de bom comportamento patronal. Fica no município alentejano de Campo Maior. Ali, ninguém ganha pela tabela mínima. Nem a Delta nem a MHI Cultivo Medicinal e nem a Hutchinson Borrachas pagam pelo mínimo como, ainda, os que não têm emprego nestas principais empresas da região, acabam por ir ali ao lado trabalhar para um patrão espanhol e, em Espanha, o salário mínimo é de 1184 euros.
Em Campo Maior não há desempregados, o que prova que não são os salários minimamente decentes que prejudicam a economia.




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