Esta campanha eleitoral tem um pormenor curioso, que é a utilização como insulto do nome e imagem de José Sócrates, um antigo primeiro ministro retirado da política. O Chega publicou um outdoor com Montenegro ao lado de Sócrates, o líder do PSD diz que Pedro Nuno Santos faz lembrar Sócrates. Ou seja, o nível da discussão está um bocado rasca.
Esta tática distrativa tem a finalidade de, em vez de se discutirem propostas concretas, recorre-se à associação de imagens negativas do passado para atacar o adversário. O uso de José Sócrates como figura fantasma para colar desconfiança ao PS é uma jogada emocional, que pretende ativar eventuais memórias negativas nos eleitores. Não importa se o homem ainda não foi condenado nem mesmo que já está fora da cena política há anos.
Que o Chega tenha sido o primeiro, com a colagem da imagem de Montenegro à de Sócrates, não admira. Mas que o PSD não tenha tido escrúpulo, já me admira um pouco.
O Chega repete-se, alimenta um falso discurso anti-sistema, colando tudo e todos à “corrupção”. No fundo, é uma forma de simplificar o debate político ao máximo, transformar tudo numa narrativa de “bons e maus”.
Acontece que Sócrates ainda é inocente até prova em contrário, um ponto essencial que muitas vezes se perde no barulho político. José Sócrates não foi condenado, está a ser julgado. Quem não respeita o princípio da presunção de inocência, não respeita a lei. Usar a imagem de Sócrates como símbolo de corrupção, como se já houvesse uma condenação definitiva, é uma falta de ética e perigoso do ponto de vista democrático.
A ironia é que são os mesmos que dizem defender a ordem e a lei, os primeiros a fazer julgamentos populares sem esperar pela justiça. Outra ironia é que dos três que aparecem neste cartaz, só um deles já foi condenado. Precisamente o mentor do cartaz, André Ventura.

A política não devia ser um ringue onde vale tudo para derrotar o adversário. O eleitor deveria perceber que quem utiliza a calúnia e o insulto, não pretende discutir os problemas reais: saúde, habitação, salários, clima, segurança e paz.




Olá Carlos
Não sei se leu uma das crónicas de João Miguel Tavares , no Público.
Tem a ver c/ J. Sócrates , em q ele , direitola confesso , até faz , à sua maneira e c/ alguma assertividade , justiça ao aqui visado !
Abraço e cumprimentos
Também li. Obrigado.
Tudo serve – dizes bem, Carlos – para distrair, lançar fumo!
….muito bem, Carlos…, infelizmente estamos servidos de políticos rasca que produzem política rasca….
abraço e boa continuação…