O IMPÉRIO ESTÁ COM PROBLEMAS

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As grandes empresas costumavam colaborar globalmente. Por exemplo, um smartphone chinês com chip americano, uma câmara japonesa e software europeu). Agora, depois da guerra comercial despoletada por Trump, não sei se isso vai continuar a ser possível.

Os EUA precisam de virar a seu favor o jogo da globalização, dominado pelas economias crescentes da China, da Índia e também do Brasil.

Um dos sectores mais atingidos pelas tarifas aduaneiras de Trump foi o da indústria automóvel. Um martelo tarifário de 25% enviou ondas de choque pelos mercados europeus e asiáticos. A medida, apresentada por Trump como um passo ousado para reavivar a produção americana, fez desaparecer instantaneamente mais de 14 mil milhões de dólares em valor de mercado bolsista das maiores montadoras da Europa, de acordo com o The Telegraph. De Frankfurt a Tóquio, a mensagem foi clara: os Estados Unidos já não estão a cumprir as velhas regras.

O caso do japão é paradigmático. De acordo com estimativas do Nomura Research Institute, as tarifas de Trump vão cortar 0,2% do PIB do Japão, milhares de milhões de dólares que se evaporaram com uma assinatura presidencial.

Os números matam o drama da situação, quanto maiores menos nos dizem. O cidadão comum não tem capacidade para dimensionar milhares de milhões seja do que for. Não falaremos mais em números.

Mas, se dissermos que em 2024 mais de metade dos automóveis vendidos nos EUA foram construídos noutros países, já percebemos melhor a ferocidade deste presidente. O sector automóvel é o espelho da crise. Não estamos apenas a falar de dinheiro, de fábricas a produzir, de operários com emprego. Não se trata apenas de comércio e indústria. Trata-se de um império em retirada, que estava a ser tomado pelos vassalos ou antigos colonizados. Trump está a incendiar o que resta da cooperação económica transatlântica e transpacífica, transformando a Alemanha e o Japão de vassalos leais em danos colaterais. Dito de outra maneira: quando não se pode vencer a China, canibalizam-se os próprios “aliados” para ganhar tempo e reabrir as fábricas em Detroit.

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