ATLETA MAIS BEM PAGO QUE CRISTIANO RONALDO

CAIO APULEIO DIOCLES. “LAMECUS”, CORREDOR DE CARRO DE CAVALOS.

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A história que hoje trago é uma história de verdade de um homem que, não sabemos bem por que caminhos, aparece em Roma no início do século II da era cristã, ano de 104 d. C., andaria pelos vinte anos. Conhecemo-lo pelo seu nome romano, Caio Apuleio Diocles, corredor de carro de cavalos, e pelo apelativo que escolheu – Lamecus / Lamego, honrando assim a cidade da Lusitânia onde nasceu, filho de um mercador.

Lamego, uma cidade carregada de História, História Antiga de que gosto de contar os passos de Ardinga, a mourinha apaixonada, e a história de Édipo, Rei de Tebas, que teve uma vida desgraçada, ainda que haja sido contada em maravilhosas tapeçarias de Museu.

Pouca gente, em Lamego, saberá a história de Caio, ainda que uma fonte monumental, construída em 1830, transferida em 1924 para um espaço fronteiro ao Jardim da República e à Câmara Municipal se intitule, popularmente, como a Fonte do “Lamego”, o mais famoso auriga ou corredor de carros de cavalos que passou na Roma antiga.

A figura de o “Lamego”, espécie de patrono tutelar da cidade não aparece, todavia, com o aspecto de corredor de uma quadriga, mas como guerreiro que segura na mão uma alabarda, arma de guerra e mantém um escudo a seus pés onde está gravado o nome “Lamego”.

Caio Apuleio Diocles, este génio do desporto – as corridas de cavalos, no Circo Máximo, na Roma dos Césares – figura conhecida por uma ampla historiografia, aparece com 18 anos na que é hoje a cidade de Lérida, na Catalunha, já corredor em carro de cavalos e dali, com cerca de 20 anos, parte para Roma, onde, durante 24 anos, corre no Circo Máximo, batendo recordes de estrela nas vitórias que alcançou: 1462, num total de 4257 corridas! Aplaudido até ao delírio por uma multidão que enchia os três pisos de bancadas do Circo, que, mais tarde, chegou a contar com o incalculável número de mais de 300 000 espectadores, que nenhum estádio moderno ainda comporta.

Corredores desta estirpe organizavam-se em Roma ao jeito das modernas equipas de Fórmula I, ali com os designativos de BRANCA, VERDE e VERMELHA (por todas correndo este celebrado auriga da fama) e também a AZUL, que investiam nessas estrelas, os aurigas, como também nos escolhidos cavalos, etc. (recorda-se o episódio da corrida de cavalos do filme Ben Hur, com Charlton Heston).

extrato do filme Ben Hur

Caio Apuleio Diocles, campeão de campeões, figura testemunhada na Roma antiga por documentos, inscrições, mosaicos, dela nos trouxe notícia também Frei Bernardo de Brito na 2ª parte da Monarquia Lusitana, de 1607, e a ela se referiram diversos historiadores, um deles referindo que o valor dos prémios recebidos pelo herói que celebramos atingiria a incrível fortuna de 18 mil milhões de dólares, quantia que teria dado pão, durante um ano, para alimentar a populosa cidade de Roma. Fortuna que nenhum atleta até hoje ainda igualou!…

Retira-se, mais tarde, para a cidade de Preneste, actual Palestrina, no Lácio, hoje província de Roma, onde terá vivido com um filho e a esposa, numa recatada vida entregue à terra. E onde terá repousado finalmente.

Estela encontrada em Roma onde se lê que Caio Apuleio Diocles aposentou-se aos 42 anos, 7 meses e 23 dias, como um dos aurigas com maior carreira na Roma Antiga num desporto muito perigoso

1 COMENTÁRIO

  1. De: Carlos Jorge Gonçalves Soares Fabião
    26 de abril de 2025 18:51
    […] Não sei onde foram descobrir esta origem lamecense para o lusitano Caius Appuleius Diocles. Nenhuma informação credível sustenta essa ideia.
    O que dele sabemos é pouco mais do que o seu extraordinário palmarés desportivo.
    Justamente para tentar “limpar” essas “estórias” fantasiosas, produziu-se um pequeno texto sobre o personagem no âmbito do Projecto Lisboa Romana – Felicitas Iulia Olisipo, da autoria de Amílcar Guerra, que recomendo para quem queira saber o que se sabe sobre o famoso auriga: 8—gaio-apuleio-diocles-lusitano-o-mais-famoso-auriga-de-todos-os-tempos.pdf

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