Nunca um governo caiu na Assembleia da República ou foi demitido pelo Presidente da República por incumprimento de promessas eleitorais. E, no entanto, esse será um dos principais problemas do regime político.
Desde que passamos a ter redes sociais na internet, é por lá que o eleitorado discute política, mas raramente em termos concretos. É um bruáá em que todos falam e ninguém escuta, muitas vezes recheado de insultos ou suspeições infundadas, uma gritaria que não escalpeliza nenhum problema. É uma pena porque as redes sociais poderiam ser excelentes plataformas para pressionar de modo eficaz governantes e deputados.
Vamos ter eleições legislativas em Portugal e os partidos devem estar a preparar o rol de promessas para as campanhas. Irão repetir promessas velhas nunca cumpridas e, em alguns casos, situações que se agravaram em vez de terem sido resolvidas.
Os políticos sabem bem quando mentem. Mas também sabem que a memória coletiva dos eleitores é curta e que a repetição de promessas pode funcionar eleitoralmente. Muitos contam com a falta de acompanhamento rigoroso das suas ações passadas e apostam na emoção do momento para conquistar votos.
O ciclo eleitoral favorece este tipo de discurso. Em vez de debates sérios sobre problemas estruturais, temos slogans fáceis e promessas que soam bem. Mas a responsabilidade também recai sobre os eleitores: enquanto o voto não for mais exigente e crítico, o “rol de promessas” continuará a ser reciclado eleição após eleição.
Em teoria, uma promessa política deveria ser um compromisso baseado em estudo, planeamento e viabilidade. Mas, na prática, muitas promessas são feitas sem esse rigor, porque o objetivo principal não é cumprir, mas sim convencer.
Há uns meses, a organização não-governamental Transparência Internacional (TI) Portugal lançou um Observatório de Monitorização do Cumprimento das Promessas Eleitorais sobre o Combate à Corrupção, que iria acompanhar a legislatura que abortou com a demissão do Governo. Esperemos que a estrutura de vigilância se mantenha. O combate à corrupção é um dos exemplos de promessas eleitorais falhadas.
Mas temos pena que a ideia não tenha sido replicada para outras áreas como, por exemplo, a saúde, a habitação social, o ensino, o combate à pobreza, que tanto precisam, também, de ser observadas.



