O MUNDO AO CONTRÁRIO

Há um ensaio de Herman Hesse, In Sight of Chaos, sobre a obra de Dostoievski em que a realidade ou a sua percepção são analisadas. O príncipe Michkine de O Idiota, “não quebra as Tábuas da Lei, apenas as vira e demonstra que do outro lado está escrito o contrário”. O Grande Inquisidor e Jesus Cristo dos Irmãos Karamazov, em lados diferentes, devotaram as suas vidas a aliviar do sofrimento humano. Compreender esta história é entrar num universo onde a verdade tem várias faces.

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Há momentos em televisão que marcam os protagonistas.

Em 1998, Belmiro de Azevedo disse sobre Marcelo Rebelo de Sousa que “devia ser eliminado”. Nunca saberemos aquilo que dele diria hoje Pinto de Magalhães.

Em 23 Janeiro de 2011 Cavaco Silva numa declaração indigna de um Chefe de Estado disse que “esta é a noite da vitória da dignidade”.

Há dias, no espaço que nos foi vendido ao longo dos anos como a sede, como o bastião, porventura o símbolo do mundo livre e da Liberdade, teve lugar uma miserável tentativa de enxovalhar um povo, um estado e um homem. Trump e Vance escolheram as palavras e os gestos que mais se adequaram à vontade de Putin e traíram os americanos. O ataque ao Capitólio foi bem sucedido e a saga continua.

O presidente Ucraniano perante o cerco manteve a dignidade e não abdicou dos seus ideais. Não aceitou trocar território pela chantagem da ajuda, perante a ameaça do corte do financiamento e do apoio. Há momentos que marcam, que capitalizam o apoio e transferem o odioso para os dois energúmenos que estavam com Zelenski na Sala Oval.

Temos que estar atentos e vigilantes. Saber ler os sinais.

Temos que perceber a mensagem que é enviada quando o Ventura é o convidado para a cerimónia do Trump. Temos que perceber a mensagem que é enviada quando o Ventura desvia as atenções da podridão do Chega e tenta focar os holofotes no governo e no primeiro-ministro. Temos que perceber a mensagem que está a ser enviada quando uma mulher do Chega insulta outra mulher que, para além da condição feminina é também invisual.

A democracia é uma construção frágil. Baseia-se no principio do eleitor/eleito e do escrutínio público. É avessa a pessoas e bens de Salvação, homens que metaforicamente se perderam no nevoeiro.

O PRD, primeiro partido redentor, esfumou-se na maioria de Cavaco Silva apesar de estar alicerçado num homem sério e de carácter, Ramalho Eanes. O Chega, não possui nenhuma daquelas características, assenta num ex-comentador da bola, num falso quarto pastorinho de Fátima, num agitador de ódios e fanatismos, os portugueses do mal, “não quebra as Tábuas da Lei, apenas as vira e demonstra que do outro lado está escrito o contrário.”

(O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico)

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