Manuel Ildedfonso, o sem abrigo que tem uma manifestação de protesto em curso há cerca de 7 anos, continua a ser perseguido pela Polícia Municipal e, a espaços, também pela GNR de Sintra.
O caso é conhecido por todos, Ildefonso ficou sem casa na sequência de uma série de infortúnios e circunstâncias da vida: doença, desemprego, divórcio, despejo. Quando se viu sem sítio onde dormir, pediu uma habitação social à Câmara de Sintra.
Os esforços da autarquia parecem mais focados a tentar impedir a manifestação de protesto do que em resolver a questão. Há anos que a Polícia Municipal afasta Manuel Ildefonso do Largo Virgílio Horta, mas ele volta sempre. Impedir uma manifestação é um acto ilícito, fere o direito de manifestação que está consagrado na Lei, um direito universal e que não carece de autorização de ninguém. Vivemos num país onde as pessoas podem protestar livremente. Apesar disso, este manifestante já foi agredido várias vezes, os agentes da Polícia Municipal tiram-lhe frequentemente os cartazes e a coluna de som que fazem parte da manifestação. Até a bengala já lhe levaram.
O homem é pobre, mas tira da boca para voltar a comprar no chinês mais próximo os artigos que lhe são ‘surripiados’. Mas, agora, Ildefonso descobriu o modo de evitar que lhe sejam tirados mais cartazes. Veste-se com eles, digamos assim. Manda estampar uma t-shirt com as palavras de ordem, et voilá, a Polícia Municipal terá de o despir se quiser levar o “cartaz”.

Ontem, foi assim vestido ao Tribunal de Sintra, para responder num processo relacionado com esta luta. Esteve duas horas a esclarecer questões que lhe foram colocadas pelo juiz e pelo procurador. O argumento costumeiro da Polícia Municipal é que o manifestante “ocupa a via pública”, como se uma manifestação não o pudesse fazer. Mas até se dá o caso de isso não ser verdade, porque o local do protesto é em cima de um muro de um canteiro de flores, onde ninguém passa, mas onde todos os dias o Presidente da Câmara o vê.
O protesto de Manuel Ildefonso já é a mais longa manifestação em curso em Portugal. Outras houve que tiveram mais anos de duração, algumas levaram décadas mas entretanto já terminaram. A de Manuel Ildefonso continua.
(nota da redação: mais artigos sobre Manuel Ildefonso aqui)




Apesar dos seus artigos informativos, sobre este assunto, já serem largas dezenas é sempre gratificante lê-los, e perceber que o dever de informar ,como jornalista corre-lhe nas veias. UM HOMEM DE CAUSAS. muito obrigado por ser quem é…