A “reestruturação” anunciada é à medida das necessidades dos canais privados. Sempre cada vez menos publicidade, sempre cada vez menos capacidade de produção. O PSD só descansará quando toda a publicidade estiver fora da RTP, quando toda a produção for entregue a produtoras privadas e quando a RTP se tornar irrelevante em termos de audiências.
O PS nunca fez muito diferente. Foi no tempo dos governos de Sócrates, com Augusto Santos Silva nos Assuntos Parlamentares, que a RTP ficou sem boa parte da publicidade que angariava. Mas é verdade que essa perda foi compensada com novas regras indemnizatórias no contrato de serviço público. Mas a preocupação de favorecer as empresas privadas sempre foi uma prática do PS, também.
Quando a RTP deixar de ser bitola para a qualidade da produção televisiva, teremos o deserto de opções de escolha para o público. A rejeição à pantalha televisiva vai aumentar cada vez mais, vai aumentar a migração para os novos media, para as redes sociais. E se pensam que isso não tem importância no que diz respeito ao entretenimento, os talk-shows e os concursos são todos iguais, na informação é importante haver jornalismo sensível à ética profissional, numa empresa obrigada a respeitar todas as condições de trabalho, o que só acontece na RTP.
Vejam o que se passa, por exemplo, nos canais da Medialivre, tal como tem sido comentado nas redes sociais: “sobre o ar triste dos repórteres da NOW deve ser em parte porque lhes pagam mal e tem de fazer sempre dois trabalhos em um. Atentem nas fotos de hoje de manhã e nos horários… Ora na NOW, ora na CM. É sempre a andar. Espero que lhes paguem dois ordenados.”

O desmantelamento da RTP parece ser uma ideia fixa dos dirigentes do PSD, sejam eles quais forem. Se alguém disser que o militante nº1 do partido continua a ser um tipo influente, talvez não ande longe da verdade, embora não seja o único ‘influencer’ em ação. Ainda agora, quando apresentou as suas ideias para a Comunicação Social, Montenegro estava sentado entre o “astronauta” Mário Ferreira da TVI e o “menino de seu pai” Francisco Supico Balsemão, da SIC.
O plano não podia ser melhor. Os privados abocanham toda a publicidade e talvez algum dos 250 despedidos da RTP possa ser recrutado a bom preço, depois de um tempo nas fileiras do IEFP e da Segurança Social.
Quanto ao jornalismo que se faz, percebe-se que Montenegro quer gente branda. É o que há mais, mas este primeiro-ministro deve achar que são poucos, ainda.

Montenegro devia perceber que o problema nunca está nas perguntas, sejam elas encaminhadas pelo auricular ou não. O problema está nas respostas.
Resumindo, temos um primeiro-ministro que gosta de ver à sua frente microfones e vídeo câmaras, mas que se preocupa com os auriculares por onde chegam perguntas incómodas que os jornalistas lhe colocam.




Olá Carlos
Tmb espero por uma crónica sua sobre a intenção do actual governo em tomar conta da totalidade accionista da Lusa e do perigo q isso representa , ao nível da isenção e transparência de noticias respeitantes sobre as acções do executivo em funções.
Obg e 1 abraço
Já escrevemos vários artigos sobre a Lusa, não é tabu. A intenção do governo é,mais uma vez, dar uma mãozinha aos acionistas privados que se querem ver livres daquilo e não conseguem. Vai ver que o governo vai pagar alguns milhões por uma coisa que eles dariam de borla. Cumprimentos
por exemplo: https://duaslinhas.pt/2023/04/os-acionistas-da-lusa-e-os-conflitos-de-interesse/
ou isto: https://duaslinhas.pt/2022/07/para-que-serve-a-lusa/