Faltam 300 enfermeiros no sistema prisional, diz o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. Num comunicado hoje divulgado através da agência Lusa, este sindicato diz que na grande maioria das cadeias portuguesas não há qualquer enfermeiro de serviço à noite.
“Face aos vários surtos de covid-19 a ocorrer nos estabelecimentos prisionais (EP) tivemos conhecimento que no período noturno os reclusos estão sem qualquer vigilância clínica”, afirma o sindicato na nota de imprensa.
“É ainda mais urgente agora a vigilância noturna e alguns acabam por ter de ser transferidos para outros EP onde há assistência noturna e enfermeiros que possam prestar essa assistência”, disse à agência Lusa o dirigente sindical Paulo Anacleto.
Segundo este sindicalista, está identificada a necessidade de serem contratados mais 300 enfermeiros para as prisões portuguesas.
A Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais não assume essa deficiência no serviço prisional, embora diga que está “prevista a abertura de concurso para pessoal de enfermagem a breve prazo”. A DGRSP não diz qual o número de vagas a preencher, mas diz que apenas existem no sistema prisional 195 enfermeiros, número manifestamente diminuto para as necessidades de 48 estabelecimentos prisionais.
As necessidades de cuidados de saúde não dizem respeito apenas à contenção da pandemia e tratamento de reclusos infetados. Essas necessidades são anteriores a esta circunstância, num sistema prisional sempre lotado ou com excesso de população e com uma elevada percentagem de reclusos de idade superior a 50 anos.



