Presépio Imperfeito

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Hoje não há ninguém no largo Virgílio Horta, em Sintra. Ninguém a admirar o belo edifício da Câmara Municipal, ninguém a passear, ninguém a trabalhar. Já todos fugiram dali a caminho do conforto do lar, ou para as últimas compras, ou para a preparação do bacalhau. E chove.

Apenas Manuel Ildefonso permanece ali, debaixo da frágil cobertura do chapéu de sol. Já recebeu prendas, cremes da Barral. E vai encher a barriga de bolo Rei. Está tão só como noutro dia qualquer. Nem Maria, nem José e o “Rei Basílio” levou com ele todo o oiro, mirra e incenso. A vaca e o burro foram levados pela Polícia Municipal. Ficou só ele, um homem sozinho, que se há de deitar nas palhas antes da Missa do Galo.

as prendas oferecidas ao sr. Manuel Ildefonso

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