Cimeira do Clima, fracos resultados

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O que se passou em Glasgow na Cimeira do Clima é o exemplo acabado do cinismo da política. Todos os dirigentes políticos dizem estar preocupados com as consequências dramáticas das alterações climáticas e todos dizem concordar com a necessidade de parar com a degradação ambiental que vai acabar por nos matar, mas…

O “mas” que sempre os impede de decretar medidas concretas que visem alcançar essa necessidade maior é o interesse das multinacionais, os interesses industriais e comerciais das empresas do petróleo, da indústria química, da agricultura intensiva, da agropecuária.

Há sempre um governante de uma qualquer potência regional ou global que se dedica a introduzir “mas” nos textos das resoluções que as tornam ineficazes. Foi o que se passou agora, em Glasgow, mais uma vez.

Com a desculpa de que era necessário garantir um acordo, mesmo sendo um mau acordo, esta cimeira nem sequer conseguiu determinar o fim da exploração de combustíveis fósseis. O texto final refere a necessidade de se proceder a uma “redução progressiva”, expressão que remete para um futuro longínquo e indeterminado o fim da extração e queima de combustíveis fósseis, casos do carvão, gaz e petróleo.

Nos próximos dias vamos ouvir dizer nos media que correu tudo bem em Glasgow e que o acordo alcançado é mais um passo em frente. Só omitem que, em frente, está o abismo.

Quando falamos na necessidade de “salvar o planeta” estamos a usar uma expressão errada, um eufemismo. Uma mentirola. O planeta não precisa de ser salvo. Desde sempre que a Terra teve diferentes tipos de atmosfera e muito antes de haver o ar que respiramos, havia uma outra mistura gasosa que também suportava vida. Mas não vida humana nem de animais vertebrados. As transformações ambientais permitiram que a evolução produzisse animais como nós. Somos muito espertos, mas incapazes de viver sem ar que contenha oxigénio na dose certa. Quando essa formula química se alterar, morremos. Mas o planeta há de continuar.

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