António Lobo Antunes, remorsos de uma guerra estúpida

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A Revolução dos Cravos já não faz parte da memória dos portugueses. E por isso é importante ler o ‘Fado Alexandrino’ de António Lobo Antunes.

Quem está entre os 20 e os 50 anos de idade não sabe, nem quer saber, de uma revolução que nos abriu as portas da Democracia e da Europa. O 25 de Abril de 1974! É um acontecimento com quase 50 anos.

O ‘Fado Alexandrino’, reeditado pela Leya, conta a história de 4 antigos combatentes da guerra colonial que se encontram para expurgar fantasmas, durante a Revolução.
Não há nada mais violento que uma guerra injusta.

Portugal foi a última potência europeia a deixar África.
Por teimosia do ditador Salazar e de meia dúzia de famílias poderosas, morreram mais de 10 mil jovens portugueses nessa guerra estúpida.

António Lobo Antunes combateu nas colónias e desde então  tem combatido os remorsos de lá ter estado.

Este é o grande romance sobre o 25 de Abril de 1974, quando uma reivindicação salarial virou uma revolução militar e popular, graças a Otelo Saraiva de Carvalho, um herói confuso, e a Salgueiro Maia, o homem que fez tudo, mas não quis ser herói.

Não nos alongamos nas desgraças da ditadura. Bastará dizer que, antes do 25 de Abril de 1974, este simples texto teria de ser lido por um coronel de uma comissão de censura, para depois ser publicado.
Um horror! Toca a ler o ‘Fado Alexandrino’ de António Lobo Antunes, o nosso próximo Nobel da Literatura.

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