Lisboa, mais 7 torres no Restelo

Em nome dum ilusório emprego e desenvolvimento do país, o Restelo será em breve um local diferente para se morar. Será mais um Cacém, Mem Martins, Damaia ou Amadora, mas com vista para o Tejo.

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O sonho acabou para muitos moradores do Restelo, o terreno junto ao Alto dos Moinhos nunca será um jardim. Vai ser um dormitório para duas mil pessoas com 629 apartamentos e apenas 214 estacionamentos. As 7 torres foram reduzidas agora, no seu tamanho inicial,  de entre 12 a 15 pisos para 8 andares.

A Câmara conta com os construtores privados, que já não andam de Mercedes, mas de helicóptero. É o ressurgimento das PPP, agora na habitação. Regressa-se ao tempo dos lisboetas empurrados para fora das suas casas, por via da especulação imobiliária do alojamento local.

O novo bairro não terá metropolitano nem elétricos rápidos para reforçar a mobilidade. Os residentes utilizarão o popó e o autocarro, opção muito má quando se caminha para a descarbonização. 

São 7 torres para 486 famílias e serão construídas em “formato de bairro social” na zona chic do Restelo, em Lisboa. É um projecto social já discutido na Câmara Municipal de Lisboa, que pretende ter uma parceria público privada. Em 2019, a OCDE revelou que Portugal tem 730 mil casas devolutas.

2 comments

  1. O que raio têm o alojamento local a ver com a construção de torres? Acaso é possível rentabilizar apartamentos que custam mais de 1 milhão de euros no alojamento local?

    E enquanto andam entretidos a bater no ceguinho, os hotéis estão a tomar conta de quarteirões inteiros, mas como esses podem pagar o spin, continua tudo a olhar para o lado.

  2. Caro Paulo Correia, o que aconteceu nos anos anteriores, demonstrou que o alojamento local não é negocio de remediados.
    Para perceber, basta por exemplo o caso do prédio comprado por um vereador por 300 mil euros e posto por ele à venda por 5 milhões.

    Em todas as grandes cidades europeias o AL causou uma enorme pressão ao ser associados a Leis tipo Assumpção Cristas que permitem que um anos de rendas seja suficiente para colocar um inquilinos na ruas, argumentando com “obras profundas” que depois não têm de ser provadas.

    Barcelona já está a pôr travões, Londres prevê já o regresso apenas ao B&B e Berlim quer impor um limites de 3 meses apenas de aluguer em AL.

    Qto a nós, a ideia é dar oferta social longe do centro de Lisboa, para poder despejar mais gente nos bairros históricos.

    Ozs quarteirões a que se refere é grave mas estão desabitados, pertenciam a grandes Bancos, não eram local de habitação. Mas são motivo de preocupação. Porque aumentam a procura estrangeira de alojamento e fazem assim subir as rendas.

    Pior é o alojamento local, há já empresas de grande dimensão. Mas o pior é a expulsão dos habitantes como fez o senhor Robles, cujo dinheiro que ganhava não dava para pagar o empréstimo que contraiu.

    A Nova Zelândia foi mais longe. Proibiu a venda de casas. Quem quiser aluga e o dinheiro não voa assim para paraísos fiscais.
    O que ganhamos com a venda de casas e a construção desenfreada é o trabalho de pedreiro, porque os materiais vêm todos de fora.

    Depois temos os franceses e os suecos que ficam isentos de impostos. Quer dizer o senhor paga taxa moderadora e eles? e IRS? Uma merda! Até a ministra sueca já protestou.

    Em Barcelona também já há outras medidas. Quem não alugar as casas para o fim inscrito na Conservatória paga elevada multa e a casa fica durante 10 anos em administração camarária que dá ao dono o valor real do arrendamento a cada momento.
    Abraço e vamos a eles que o país é nosso, as casas para habitar e os miúdos precisam de futuro e não de gigajogas de politicos manhosos. Abraço

    Já agora: a China dá-lhe um visto se comprar lá uma casa? Nós baixamos as calças porquê? A Cristas e o Portas que se lixem. Ah! e o Robles também. Há mais

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