João Rendeiro condenado

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A condenação de João Rendeiro e outros no caso BPP foi certamente ovacionada nas cadeias. A alegria não se deve à expectativa de virem a ter novos parceiros de cela, porque o que eles queriam era menos. A sobrelotação dos estabelecimentos prisionais não se vai resolver com a entrada de mais meia dúzia de prisioneiros condenados. A alegria deve-se a um pormenor da notícia.

Em causa estão crimes de fraude fiscal qualificada, abuso de confiança e branqueamento de capitais. Apropriação indevida de mais de 31 milhões de euros dos clientes do BPP. João Rendeiro foi condenado a uma pena de 10 anos, Salvador Fezas Vital e António Guichard a nove anos e seis meses cada, e Fernando Lima a seis anos. O advogado João Magalhães Ramalho (à data sócio da PLMJ) acabou absolvido. Já Mário Sampaio da Silva, foi punido com dois anos de prisão, suspenso mediante o pagamento de 50 mil euros à Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso, por ter ajudado a dissimular a origem ilícita dos rendimentos dos ex-administradores do banco, dissolvido em 2010. Uma espécie de doação, decisão inédita porque nunca antes decidida por um tribunal português.

Mas, enfim, a festa terá de ser contida. O condenado tem dois anos para efetuar essa transferência bancária. E em dois anos muita água passa por debaixo das pontes.

Contactada a direção da APAR, confessaram alguma perplexidade mas, igualmente, contentamento. Precisam de mais algum tempo para “digerir” a notícia, mas se o dinheiro lhes chegar às mãos, será bem empregue.

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