Março, eu e a quarta-feira

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Uma equipa de investigação da Universidade de Columbia descobriu um método algorítmico que determina se existe uma relação entre o mês de nascimento e o risco que o indivíduo tem de desenvolver certas doenças. A notícia foi avançada pela Medical Xpress há cinco anos.

Curioso como sou, descubro sem surpresa que Março é o mês do coração frágil. A quem o dizes, Universidade de Columbia!

Não é que eu tenha nascido em Março que Março tem forte influência sobre mim, melhor dito, sobre o meu estado de espírito. Na realidade, sou oriundo do nono dia do nono mês do nono ano da década de 30 do século passado. Assunto arrumado.

Ok, sou idoso (velho já não se usa), ganhei o estatuto de prioritário com direito a passar à frente nas filas (nunca acontece talvez um dia aconteça), ser atendido prioritariamente (idem idem, aspas aspas), e…sei lá que mais regalias para mim desconhecidas na prática por, de facto, nunca as ter experimentado. Talvez um dia, diz o meu indisciplinado optimismo.

Março está para mim como as quartas-feiras, mas ao contrário. Das quartas-feiras espero tudo, dos Marços não espero nada. Além da respectiva colocação no calendário, as quartas-feiras dão mais hipóteses de tudo. Repetem-se todas as semanas.

Nas quartas-feiras parece que recebo um aditivo emocional de capacidade activa com assinalável resultado na produtividade. Tudo me corre bem, acabo mais depressa o que faço e fico disponível para fazer mais. As quartas-feiras deviam ser sempre para mim dias de fecho de edição, dias de reuniões de trabalho, dias de pedir aumentos de ordenado, coisas assim…

Março é mais manhoso. Dá-me onze meses para o esperar, para o temer, para desejar ir para outro planeta onde só hajam 11 meses e nenhuma seja Março.

Foi em Março que me encontrei naquela situação de estar sobre a linha em que se passa para o outro lado. Era véspera do Dia Internacional da Mulher, 7 de Março de 2007. A minha sorte foi ser uma quarta-feira, o tal dia em que tudo me corre bem. O SNS tomou conta de mim, fez o diagnóstico, preparou-me para o que viria a seguir e, no dia 9, manhã cedo, estava a ser anestesiado para uma grande intervenção de peito aberto. Cinco horas depois, três bypasses depois, 14 anos depois, Março ficou registado como um renascimento. O que não me impede de sentir um friozinho quando me aproximo da chegada deste terceiro mês do ano. É mês de outras más recordações, mãe e pai partiram nesse mês com cinco anos de separação. E aqui estamos nós de novo em Março.

Nem tudo foi mau em Março.

Em 2008, tinha oportunidade de regressar à minha terra do coração, Angola, após 33 anos de ausência. Um lindo projecto de Comunicação Social apelava para a minha participação. E foi também em Março de 2015 que calhou fazer o regresso dessa excepcional experiência profissional.

E aqui estamos de novo em Março em vésperas de celebrarmos a Mulher, com o devido respeito e gratidão.

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