Considerações Perigosas

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“Neste que foi o pior ano das nossas vidas…”, foi assim que Bento Rodrigues iniciou o lançamento de uma das peças do “Primeiro Jornal” (SIC) do passado dia 9. 

Dez minutos depois, Maurício de Carvalho, camarada de profissão dos tempos da RTP, dedicou a Bento Rodrigues o texto que se segue: “Falas por ti, meu caro… não viveste sob a ditadura fascista, não foste preso e torturado pela PIDE, não foste julgado por um Tribunal Plenário, não penaste na prisão por crimes que não cometeste, por defenderes o que achavas justo, não fizeste a guerra colonial, não te morreram nos braços, vítimas de combates injustificados, amigos do coração, não emigraste com uma mão atrás e outra à frente… Pois, para ti, cujo horizonte temporal vai do estúdio onde pontificas ao conforto da casa onde vives, passando pelos locais de descanso e prazer que frequentas, talvez tenha sido o pior ano da tua vida…

Mas quem construiu o presente de que usufruis e o futuro a que os teus filhos terão justo direito passou muito pior do que este ano pandémico. E não bastava o afastamento social e uma máscara para nos safarmos ao destino. Cresce… o universo não acaba ao fundo da tua rua”.

Escusavas, Bento, de levar uma berlaitada deste calibre. É o que dá meteres-te por caminhos ínvios, por considerações, sempre perigosas, que ninguém te encomendou e ninguém te agradece. Digo-te o mesmo que já disse aos outros – cinge-te ao alinhamento. Apresenta-o da forma mais seca possível. Sem adjectivos, que já para aí dei por eles. É isto que a malta quer. Se saíres do carril, acabas mal – ridicularizas-te e perdem-te o respeito. E descontrai, homem! Pareces um autómato.

Têm sido tempos difíceis, para a SIC. Há uns dias, o trocadilho com as palavras do Rodrigo Carvalho. Pior a emenda que o soneto. Depois, a gaffe do Reinaldo Serrano sobre Eduardo Lourenço, um comentador a referir-se a Marega como o “malino” e o triste episódio da foto de Paulo Camacho a ilustrar a notícia da morte do irmão, Pedro. É difícil encontrar explicação para esta sucessão de eventos desastrosos. Desgoverno. Só pode ser.

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