A compota e o tricot

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A minha amiga rica telefonou-me. Já não está em Itália. Cansou-se do alegre papaguear das amigas e voltou para casa. Mas está com um problema… vai passar o Natal sozinha. Ouviu o doutor Rui Portugal na televisão e ficou em pânico. Ela detesta compotas. Que horror!

“O menino já viu alguma coisa tão pindérica? Oferecer compotas??”, resmungou ao telefone. “No El Corte Inglés há muito por onde escolher, nem precisa de ir à Louis Vuitton na Avenida da Liberdade”, dizia-me ela a ver se a coisa pegava.

Mas sempre me falou que a Louis Vuitton tinha uns cachecóis Kim Jones que ela “adorava!”. E eu a pensar que a minha amiga anda a ver muitas fotografias da Meghan Markle nas revistas cor-de-rosa…

Tive de lhe explicar que o bom do doutor Rui Portugal iria ficar contente se ela me fizesse um cachecol de lã, à mão.

“A menina sabe tricotar?”, perguntei-lhe numa jogada de contra-ataque. Ao que ela respondeu, “claro meu anjo, não faço outra coisa na vida”.

Ficámos empatados. Nem compota nem cachecol, mas sempre vamos brindar com moscatel que tenho aqui guardado para ocasiões especiais. Passo-lhe a garrafa por cima do muro que divide os jardins das nossas casas e espero que ela ma devolva… A chegada do próximo ano é um desses momentos especiais. Não porque 2021 prometa grande coisa, mas porque estamos todos fartos de 2020. Bom Natal para todos e todas.   

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