Adios Maradona

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Uma mulher rica nunca diz que é rica. Põe um colar de pérolas e pronto! Ou coloca a mala Hérmes em cima da mesa. Foi o que me disse a minha amiga rica. Ligou do seu novo telemóvel desdobrável. Abre e parece um livro.

“Estou em Nápoles, porque não podia perder a homenagem a Maradona, um deus nesta cidade cheia de colinas, onde ninguém respeita os semáforos. É tudo Avanti! . E o melhor é acelerar para não ser abalroada por trás.”

“Aluguei um Alfa Romeo 4C Spider descapotável de fazer inveja ao Rolls Royce de Herman José. Que é um carro fora de moda. E qual é a cor? Amarelo. A cor abençoada do Vaticano. Também combina muito bem com um vestido da Fátima Lopes. que agora tem uma loja giríssima na internet.”

“A Fatinha é uma jovem lindíssima que não esconde os 56 anos. Ninguém acredita. O seu corpo é perfeito e raramente vai ao Holmes Place da Avenida da Liberdade. Não conheço a família, mas o milagre é genético. De certeza. Com esta tirada já posso comer mais um pastel de nata. Infelizmente, os napolitanos não seguiram os conselhos do senhor ministro Alvarinho e pastéis de nata nem vê-los. Só pizzas e Camorra. A propósito tenho andado a perguntar onde ponho o lixo, porque aqui o lixo vale muito e é motivo de tiroteio. Pum! Pum! Vejam lá!”, papagueava ela que quando começa a falar não se cala…

“Deixemos as coisas tristes. Vou à Piazza del Plebiscito ver os cartazes do Maradona e desfrutar do meu lindo Alfa Romeu, nesta cidade que há 160 anos fazia parte do reino da duas Sicílias. Addio, pero ora, Maradona!”. E desligou.

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