Vírus escapa à secreta americana

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Estranhei o silêncio. E por isso liguei ao melhor maçon ao cimo da Terra, em meu entender. O Luís tinha anunciado estar infectado com Covid-19. Num modo de fanfarrão, de quem vai ao hospital e já volta.

Depois calou-se e eu andava preocupado. As mortes em Portugal por covid-19 ultrapassaram as 2 mil e juntaram-se a 5 700 mortes sobre as quais nada se sabe. Os números nem sempre dizem grande coisa. Às vezes são martelados. Recordo a polémica do número de desempregados no tempo de José Sócrates. Mais 10 mil, menos 20 mil. Ninguém se entendia.

Conheci o Luís no lançamento de um livro. Encontrei-o mais tarde numa reportagem sobre os motivos da luta entre Maçonaria e a Igreja Católica. Ele ia de romagem ao túmulo de Buiça, no cemitério do Alto de S. João. De braço dado com o professor universitário José Zaluar, homem também bem-disposto, cheio de entusiasmo.

Liguei agora ao Luís. E ele respondeu com voz do além: “Estou vivo, pá! Mandaram-me regressar a casa e fazer fisioterapia”. Fisioterapia? “Sim, porque tive dois AVC no hospital.” Dois? “Um a seguir ao outro e agora estou pr’aqui sentado, porque não ando.” Teclamos? “Não consigo, fiquei com o braço esquerdo afectado.” E a fisioterapia? “Não posso fazer enquanto estiver com o vírus.” E tomas o quê? “Paracetamol.” Só? “Pois.”

Um AVC têm uma janela reversão possível até 2 horas, ao ser detectado. É ministrado um medicamento e o mal reverte. O Luís não teve essa sorte. E estava num hospital.

Luís conta comigo. E anima-te. O Trump também se infectou e já anda todo catita. E o Luís respondeu mesmo à Luís: “O Trump que se lixe.” O Trump tem os maiores e os mais caros serviços secretos do mundo. Ajudaram a derrubar o Allende, no Chile, há precisamente 44 anos. Mas foram incapazes de evitar 200 mil mortes na América por causa de um vírus. Que se lixe o Trump. Triplo abraço para o Luís.

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