A felicidade é o verdadeiro destino

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Quando a fixei nos olhos lembrei-me de “O Vendedor de Passados” de José Agualusa. O livro foi escrito há 16 anos e ajuda-nos a ultrapassar a destruição emocional e social provocada pelo covid-19. Explicava-lhe que as casas não são importantes. Não merecem afeição. As pessoas sim.

Este notável romance do José Agualusa conta a história do Albino Félix Ventura que inventava passados para generais, políticos e burgueses angolanos desejosos de merecerem reconhecimento. Incluindo um fotógrafo, José Buchman, que recolheu um mendigo, que afinal lhe matou a família. O resto não conto.

Esta minha amiga de olhos enormes e doces, não necessita da invenção de um passado, coisa exímia para Félix Ventura. Mas também não precisa de transportar mágoas como Ângela Lúcia, filha do fotógrafo José Buchmann. Que afinal estava viva.

O covid-19 tem perturbado as nossas vidas de forma dramática. O isolamento é mau. Ninguém consegue fazer nada sozinho. José Agualusa mostra o ridículo da invenção do passado para justificar o presente. Nós precisamos de construir o futuro.

A essa minha amiga que vive no meu coração aconselhei-lhe a “Teoria Geral do Esquecimento”, “A Rainha Ginga” e “A Educação Sentimental dos Pássaros” algumas das obras maiores deste notável angolano escritor de português. Que sejas feliz, amiga de olhos enormes e doces. A felicidade é o verdadeiro destino de todos, como ouvi um dia de José Agualusa.

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