Jornalistas portugueses presos

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O jornalismo português está preso em “pontos biométricos”, que transformam os jornalistas em bonecos. A ideia veio de Itália nos anos 90 com os jornalistas da RAI a passarem num torniquete.

A coisa foi importada, porque existiam jornalistas “desaparecidos” que todos sabiam quem eram.

Hoje, aferem-se os jornalistas pelo número de horas que estão sentados de telefone na orelha. Longe vão os tempos do saudoso Vítor Direito. “Estás sentado? Sai e trás histórias”.

Quem se lembra do  “caso do Tolan”, o navio virado meses a fio frente à Praça do Comércio, sob suspeita de ter gente no seu interior. “Tens um mês para descobrir uma testemunha dessa prisão horrenda”.

Vivíamos ainda o “caso Watergate”, com Nixon a espiar a sede dos opositores. Ser jornalista era investigar e escrever sem parar.

Neves de Sousa enchia as páginas de A Bola, Diário Popular, Diário de Lisboa e Correio da Manhã com prosas sobre os meandros do futebol, num fino recorte literário. O Neves tinha um casaco nas costas das cadeiras de cada Redacção. Mas Vítor Direito corrigiu: “Leva o casaco e traz textos”.

Nos últimos anos muitos jornalistas chegaram a chefias apenas por estarem sentados horas-sem-fim, sem qualquer reportagem ou rasgo de investigação no seu portefólio

Os seus textos foram “investigações” telefónicas. E, pior, absorveram o papel de produtores de informação. “Está pronto?”, “é preciso editor?”, “quais são os meios?”.

Os jornalistas portugueses, tal como os italianos, estão presos em Redacções que poderiam ser fábricas de tijolos, não fossem as assopradelas do Ministério Público.

É por isso que desaparecem leitores e espectadores. E nem vale a pena pensarem em os obrigar a …  marcar o ponto biométrico!

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