INTRIGANTE VASO EM MONUMENTO ROMANO

Continua a intrigar-nos. Ainda hoje nos intriga: quem teria sido sepultado sob esta pedra romana com decoração tão invulgar?

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Não deixa de ser inspiradora a fórmula usada no Brasil para assinalar a morte de alguém: encantou-se!… Tantas vezes que ouvimos histórias de lindas mouras encantadas, que beijo varonil – de preferência, cristão!… – um dia, lograria fazer voltar à vida.

No caso dos Romanos, esse encantamento psicológico perduraria também, mormente pela fórmula latina Hic situs est, «Aqui está», que, traduzida pelo vulgar «Aqui jaz», fica de significado passivo, menos presente. Estar é bem diferente de jazer.

Por isso, não vamos descansar enquanto, encontrada a pedra no Museu Rainha D. Leonor, de Beja, agora em obras, se não proceder a bem cuidadosa limpeza da sua superfície epigrafada, a fim de se descobrir a quem foi dedicado o epitáfio.

Senhora deve ter sido, sobretudo devido à minúcia posta pelo canteiro na gravação do jarro em baixo relevo que ilustra a face esquerda do monumento funerário.

Aliás, é esse requinte o maior motivo de intriga, não tanto para o historiador, mas mais para o arqueólogo, que se interessa pelos objetos que os Romanos usavam no seu dia a dia. Terá sido esta imagem cópia de magnífico jarro usado pela defunta, dama ou donzela que ali é celebrada? Cópia do real ou resultado de imaginação, para melhor homenagear a memória da defunta?

Folheando os catálogos, encontram-se, de facto, jarros semelhantes, com as caneluras deste e a sua solenidade. É o caso, por exemplo, do cantharus (palavra que, neste caso, não pode traduzir-se por cântaro), cujo desenho está patente na estampa 3 do livro Lateinische Gefässnamen («Nomes Latinos de Recipientes»), de Werner Hilgers, publicado em Dusseldorf em 1969; mas na verdade – aqui para nós… – consolar-nos-ia mais saber que foi mesmo cópia do vaso predilecto da defunta: uma homenagem!

Porventura terá sido ele que recebeu a água lustral e os perfumes com que os familiares lhe lavaram e purificaram o corpo inânime, perfumes a escorregarem depois, languidamente, para uma grande pátera, como a que está gravada do lado direito…

pátera ou prato

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