Não se quer perder tal tradição vetusta, que remontará a meados do século passado, quando o trabalho da pedra constituía, a par da lavoura, uma das atividades dominantes no concelho de Cascais.
Ia-se, manhã cedo, para a orla marítima do Guincho. A Marinha ainda era só pinhal aberto. Arrumava-se aí um recanto para o fogo. Uns tratavam dos ingredientes; outros, cana de pesca na mão, tinham a certeza de que o peixe picaria e caldeirada a preceito haveria de se saborear.
Jornada de convívio, dia de folga, dia de reivindicação pela dignidade do trabalho.
Atingiu a meia centena o número de convivas deste ano, a não haver mais sítio no barracão do Carlos, no coração de Trajouce. Já a muito custo se ouviria o coaxar das rãs na Ribeira ao lado (por limpar).
A caldeirada bem saborosa estava. Temperada a preceito. Regada com tinto de lavra particular.
Tempo houve, porém, enquanto o bolo se não partia e as rifas para o troféu anual se compravam.


Tempo houve para dar uma vista de olhos nas prateleiras derredor, pejadas de antiguidades que Carlos Sabido vai recebendo. Um mundo! Máquinas fotográficas, telefonias, esculturas, lustres…



E, este ano, lugar de relevo para as ferramentas de canteiro, onde não faltou a vassourinha de palma com que se ia limpando o pó de um peitoril ou de uma faixa.

Após a foto do grupo, o voto: que todos aqui possamos voltar pró ano!



