RECLUSO AGREDIDO EM MONSANTO

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Apanhou uma carga de porrada que o deixou “todo marcado”, são as palavras do avô de Hugo Pereira, o recluso que terá morto o colega de cela no Estabelecimento Prisional do Linhó.

Depois do sucedido, o recluso foi transferido para o Estabelecimento Prisional de Monsanto, cadeia de alta segurança, informa a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR).

As críticas da APAR são severas: “Trata-se de um recluso que sofre de esquizofrenia, medicado com doses fortíssimas de medicamentos, e que deveria estar, há muito, internado em hospital psiquiátrico e não numa prisão. Como a APAR e os familiares do recluso repetidas vezes solicitaram. Os responsáveis dos Estabelecimentos Prisionais por onde passou têm disso conhecimento até porque foram inúmeras as vezes que tiveram de o conduzir aos hospitais por ter engolido pilhas e lâminas de barbear. Foram sempre desvalorizando esses sinais até ter acontecido esta última tragédia.”

Mas, em vez de ter sido transferido para a Clínica Psiquiátrica do Hospital Prisional de Caxias (ou para a Clínica do Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo) este homem doente levou um “tratamento” dos guardas prisionais de Monsanto.

 “Nada que não seja usual naquela prisão”, informa a APAR. “Há guardas prisionais (felizmente uma minoria), que se acham no direito de espancar reclusos e se sentem realizados com esse acto de ignóbil cobardia”, esclarece esta associação.

“Agredir um preso que não se pode defender, para mais doente, é absolutamente indigno e criminoso. Quando essa agressão vem de elementos da guarda prisional, que deve pugnar pela Lei dentro dos Estabelecimentos Prisionais, é a maior das ignomínias”, e esta posição da APAR foi endereçada por escrito para o Governo, Assembleia da República e responsáveis pelos serviços prisionais.

A APAR pede um inquérito ao que está a suceder, “caso se confirmem as agressões que se  identifiquem os agressores e que se questione a inércia dos chefes desses guardas e da Direção do Estabelecimento Prisional porque, terão de ser considerados seus cúmplices”.

Segundo a APAR, vai ser apresentada queixa na Procuradoria-Geral da República.

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