NO MUNDO E NO PAÍS

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Sinto que não podemos sair do País. Viajamos e quando voltamos, nas notícias internacionais continua tudo na mesma. Trump a achar que somos todos marionetas e a fingir que faz pela Paz, sem nada fazer; Putin julga que somos parvos enquanto arrasa a Ucrânia; Israel continua, agora mais traiçoeiramente, a destruir a Palestina. Enfim, as guerras continuam, de permeio com Trump e o caso Epstein, mais a realeza detida e acusada. Nada de novo… Mas quando olhamos para o burgo, logo percebemos muitas diferenças: a primeira (e sempre) são os erros de português, muitos dados até por políticos e jornalistas. Só não sei quem vai atrás de quem. Mas alguém deveria dizer a ambos que ‘sobre influência de’ não existe. É sob Influência… E, já agora, também não é ‘há 50 anos atrás’. Há 50 anos já é passado. E não me alongarei em mais explicações.

Depois encontro uma notícia absolutamente extraordinária: o Presidente da República dá-se ao luxo de desafiar António José Seguro para escolher Espanha como primeiro destino de viagem, depois de tomar posse como PR. É verdade que Marcelo e outros assim o fizeram, alegando a proximidade geográfica com o país vizinho. Eu, em todo o caso, sempre preferia que fosse seguido o exemplo de Ramalho Eanes, que deu primazia aos países lusófonos. Mas o que me espantou foi o facto de Seguro ainda não ter tomado posse e já ter Marcelo a condicionar-lhe a agenda. Marcelo Rebelo de Sousa, num almoço no Palácio Real de Madrid, anunciou que o Presidente eleito ‘virá certamente’ a Espanha ‘em primeiro lugar para reafirmar a nossa fraternidade’. O Presidente eleito nada respondeu…

Por outro lado, não vou mencionar a questão da geografia de Portugal, o rio Mondego e Luís Montenegro. Nada me admira de um primeiro-ministro que, num debate sobre o estado da nação, em 2025, quis citar a escritora Sophia de Mello Breyner Andresen, mas usou um verso de José Saramago.

Mas gostaria de saber em que pé está a situação da Base das Lajes, sendo que o Governo já confirmou o seu ‘uso mais intensivo’ pelos EUA nas últimas semanas. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, diz que está tudo bem e estão a ser cumpridas as regras previstas no acordo entre EUA e Portugal, adiantando que os Estados Unidos podem usar a ilha Terceira para uma operação militar contra o Irão sem avisar Portugal.

Todavia, o acordo de Portugal com os EUA prevê que, em operações unilaterais e sem cobertura da NATO ou de outras organizações internacionais, é mesmo preciso uma ‘autorização prévia’ governamental, que Rangel diz ter sido automática.

E, por último, nas notícias do burgo, que as do estrangeiro nem variaram tanto, a ida do ex-director Nacional da Polícia Judiciária para o Ministério da Administração Interna (MAI). Espero e confio que, desta vez, Montenegro tenha acertado. Que mais não seja porque Luís Neves o merece. Pode Pedro Passos Coelho dizer o que quiser ou Fernando Negrão ter grandes manifestações, seguramente de inveja (será que queria ter sido ele o escolhido?), que Luís Neves é um polícia, um homem de carreira numa instituição respeitada em que ajudou a fazer uma reforma para criar uma maior eficácia e agilização de processos.

Foi nomeado e mantido por ministros do Partido Socialista e do PSD. E quem pretende dizer que o cargo lhe foi dado por ter, de algum modo, protegido o primeiro-ministro nas embrulhadas da Spinumviva, naturalmente não conhece Luís Neves.

Todos podem especular ou criar teorias da conspiração. Não me parece que o titular da pasta da Administração Interna esteja preocupado com isso. Neste caso, por uma só vez, será útil utilizar o slogan ridículo que o PM quis imprimir à sua liderança. ‘Deixem o Luís (Neves) trabalhar’.

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