
Da emigração desregulada, à falta de habitação, passando pela “violência”, pela mentira dos “benefícios” dos emigrantes e dos subsídios indevidos, escondendo o valor das contribuições para a segurança social dos trabalhadores emigrantes, o “capo” do Chega usa todo o argumentário da multinacional direita radical, que vem crescendo na Europa, replicando a ideia de Steve Bannon de tentar formar uma internacional populista.
Aqui sigo José Filipe Pinto que defende que “aquilo a que estamos a assistir é a uma tentativa de Trump de impor um novo modelo, um novo “sistema”, através de medidas de que visam “o lucro e a imposição de uma ideologia nova, que vai além do liberalismo e que se aproxima um pouco do libertarismo”, uma tentativa de substituir a democracia representativa pela democracia “a caminhar para a iliberal”.

A verdade é que a última sondagem conhecida, da Intercampus, valendo o que vale, vem dizer-nos que o Chega voltou aos números das legislativas. E se esses números se confirmarem, nas eleições presidenciais, correspondem a uma opção dos eleitores, consciente, emotiva ou irracional, ancorada na crise social e económica que se vive em Portugal e na Europa.
No meio desta onda negra, veio uma notícia de esperança de que algo está a mudar, com a derrota do partido de extrema-direita nos Países Baixos. Mas será assim? Será que os ventos que sopram a favor da direita radical, xenófoba e antidemocrática se começam a esfumar? Tenho as maiores reservas quanto a esta inversão da tendência, uma vez que toda a Europa vive dilacerada pela incapacidade de dar reposta à crise social, que abre o caminho às forças de extrema-direita. Os cidadãos estão zangados e pobres, os confrontos sociais são imensos e, sem resposta, viram-se para a extrema-direita, tal como aconteceu nos anos 30 do século passado.
No nosso País, a extrema-direita, trauliteira, demagoga e violenta – não nos podemos esquecer das ligações de alguns dos mais conhecidos elementos do Chega à estrutura do MDLP – quer acabar com a democracia, não quer melhorá-la mas, aparentemente, os seus eleitores nem sequer estão preocupados com isso, porque vivem no limiar da pobreza e nem querem saber que os financiadores do Chega apenas pensam nos seus lucros e nos seus interesses.
O Chega, a pretexto de uma crise na democracia, quer acabar com o Estado de Direito, com os direitos, liberdades e garantias. Para isso usa de todos os meios, sem limites porque qualquer acto de limitação abre espaço à vitimização do Chega e do seu “capo”. Como diz Francisco Teixeira da Mota, os cartazes colocados no Minho são ordinários, são uma javardice. E acrescenta que não estamos perante um crime. Compreendo a posição de Teixeira da Mota, pois toda e qualquer tentativa de ilegalização do Chega apenas irá fazer crescer a sua base eleitoral. Ele precisa de ser combatido com a resposta aos problemas económicos e sociais que se vivem no nosso País. A extrema-direita europeia só pode ser derrotada se os Governos derem resposta às necessidades dos seus cidadãos pois, sem essa resposta, essa multinacional populista, radical e reaccionária irá crescer e conquistar o poder, usando a democracia para derrubar a democracia.



