Defender a imigração com argumentos de que “sem eles o país pára” e os patrões “querem que venham mais”, é defender a precariedade, a exploração laboral, o capitalismo, é ter desistido de uma sociedade progressista. Defender a imigração dizendo que “os portugueses não querem fazer estes trabalhos” também contém alguns equívocos porque, em bom rigor, continuam a existir muitos “portugueses” a fazer trabalhos semelhantes só que noutros países e a ganhar várias vezes mais do que ganhariam cá.
Portanto, utilizar estes argumentos com pés de barro é muito útil para a direita (aos liberais porque ajuda os patrões exploradores e gananciosos, aos racistas porque só ajuda a fomentar o ódio aos imigrantes e a criar divisões entre trabalhadores, entre o “nós” e o “eles”). Também é muito útil para partidos que se proclamam “socialistas” mas que a única coisa que têm feito é dar mau nome ao socialismo.
Agora, a revolta e o “problema” nunca podem ser levantados em relação a quem procura uma melhor vida em Portugal e está, por isso, disposto a trabalhar em condições precárias e de exploração. Com os imigrantes trabalhadores a solidariedade deverá ser inequívoca, sempre. Os direitos dos imigrantes são os direitos dos trabalhadores, a luta é a mesma.
A revolta deve ser dirigida, sim, contra quem os explora desta forma e contra quem autoriza, permite e estimula que sejam assim explorados.
E, já agora, em relação a quem usa aquele tipo de argumentos, toda a desconfiança.
(esta crónica foi publicada primeiro no Facebook da autora)



