O golpe de Estado da semana passada derrubou um regime amigo da França e do mundo ocidental, os novos detentores do poder parecem estar próximos da Rússia.
Nas ruas da capital nigeriana, Niamey, são frequentes os sinais da influência russa e do grupo Wagner. Nas manifestações há sempre bandeiras e cartazes sobre a amizade com a Rússia.
O Níger tem sido um dos principais fornecedores de matéria prima para a indústria europeia, nomeadamente urânio, o metal radioativo amplamente utilizado para a energia nuclear e em armas nucleares, bem como na medicina para o tratamento do cancro.
O Presidente da França fez uma declaração infeliz, ao dizer eu iria retaliar militarmente se os interesses da França fossem prejudicados. Macron trata o Níger como uma colónia e, na verdade, é o que o país tem sido mesmo depois da independência. No país há bases militares da França, Estados Unidos e Alemanha, alegadamente para combater o avanço de extremistas islâmicos.
Depois de recentes golpes de Estado no Burkina Faso e Mali, países vizinhos do Níger, onde a França também tinha milhares de soldados estacionados e foi obrigada a retirá-los, este será mais um revés para as políticas neocolonialista dos países europeus e dos EUA.
Apesar das ameaças de Macron, a embaixada da França foi atacada e parcialmente incendiada. Curiosamente, a reação imediata surgiu no âmbito da CEDEAO, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, que ameaçou com sanções e invasão militar para repor a ordem institucional. A Junta Militar que assumiu o poder no Níger respondeu dizendo que a posição da CEDEAO era uma manipulação dos países ocidentais e que qualquer intervenção militar estrangeira seria combatida com determinação pelo povo do Níger.



