AS CORES DO DINHEIRO

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A Rússia e países com os quais mantém intensas relações comerciais vão instituir uma alternativa ao sistema bancário SWIFT que, neste momento, controla praticamente todas as transações comerciais e bancárias do mundo.

O sistema SWIFT é controlado pelo Banco Nacional da Bélgica, que possui parcerias com bancos centrais de quase todo o mundo. O sistema garante fiabilidade na transmissão de dados e reduz a possibilidade de fraude informática na transferência de dinheiro. Claro que o serviço é pago, uma pequena taxa, mas se pensarmos que há dezenas de milhar de instituições financeiras que negoceiam através do sistema SWIFT percebemos que é um negócio de zilhões de euros.

Com a guerra na Ucrânia e as sanções decretadas por quem manda nisto tudo, a Rússia deixou de ter acesso ao sistema SWIFT. Acontece que a Rússia é o segundo país em número de instituições financeiras agregadas ao SWIFT, só os EUA têm mais. E é assim que vai surgir um sistema alternativo ao SWIFT.

Potenciais clientes, são todos os países que mantém trocas comerciais com a Rússia. A saber, China, Índia, Brasil, mais um bom número de economias menos relevantes mas que, no conjunto, representam mais de metade do comércio internacional. Às vezes esquecemo-nos que existe mais mundo para além da Europa e da América do Norte.

O plano da Rússia, China e India é permitir que as trocas comerciais sejam feitas na moeda mais conveniente para os agentes do negócio. Ou seja, o dólar deixará de ter mais importância que qualquer outra moeda. Yuans, dólares de Hong Kong, rublos e dirhams árabes passarão a ter um valor estabelecido pelas queridas regras de mercado do novo sistema financeiro que vai competir com o SWIFT.

Estamos prestes a ver desaparecer boa parte da influência das instituições financeiras ocidentais. O dinheiro deixará de ser verde e passará a ter muitas cores diferentes. O que vem aí pode não ser bom para nós que estamos deste lado do mundo.

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