Como ensinar outra Historia

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Pertenço à geração dos professores surgidos na madrugada de Abril. Frequentava o 1º ano da licenciatura em História, e como uma boa parte dos professores no ano letivo 1974/1975, iniciei-me como professora. Havia uma revolução para fazer, era preciso escolarizar todas as cr1ianças e jovens, por isso foi um “quem sabe ler vai ensinar”. Fui professora de Português, Francês, Introdução à Política e História.

Repeti modelos pedagógicos que tinham sido os meus professores. Tive colegas fantásticas com as quais aprendi a questionar não apenas métodos mas também conteúdos. Não há disciplina que melhor se preste a isso do que a História.

Década após década vi os programas mudarem, adaptarem-se às novas teorias da História. Mas foi como professora de História da Cultura e das Artes que amadureci a compreensão de que continuava a ensinar uma História classista. Da arquitetura à escultura e outras artes visuais, era sempre das classes sociais dominantes a História que os programas contavam e contam. As classes cujas pessoas têm nome. As outras são anónimas, meras estatísticas. Desesperava para ensinar outra História, outras histórias.

As “Perguntas de um operário letrado” de Bertolt Brecht foi o melhor contributo que julgo ter dado a centenas de jovens, para desenvolverem o espírito crítico. Tornei obrigatória  a sua leitura. Muitos aprenderam a dizer de cor “Quem construiu Tebas a das sete portas?”(…).
O melhor que fiz com eles não foram as respostas que lhes ensinei,  mas as perguntas que aprenderam a fazer.

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