As Associações, alma de um povo!

Para gerar consensos em torno de um objectivo comum; para consolidar uma ideia; para lutar por uma causa – as associações constituem, na verdade, a alma de um povo. A nível local, regional e nacional.

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Deixamos de parte o contexto internacional, porque mais difuso e menos palpável; centremo-nos no local, onde a força congregada é maior, deve ser maior e deve ser constantemente apoiada.

Amiúde, o grupo de amigos que vão tornar-se associados sente que necessita de um lugar para se reunir, compartilhar ideias, programar acções. Luta por isso, angaria apoios, bate à porta desta e daquela entidade, consegue um mecenas e a sede nasce, o estandarte aparece, o emblema cria-se

Depois, uns tempos depois, o entusiasmo vai de esmorecer. A construção da sede apontava algo de visível, concreto, e, agora, organizar um concurso, levar por diante uma peça de teatro, organizar uma série de conferências não é assim tão palpável e acaba por não cativar tanto. E os ‘velhos’ que estiveram na origem da construção da sede nem sempre tiveram o condão de entusiasmar os mais novos, os filhos e os netos, e a colectividade começa a correr o risco de estagnar, sede raramente aberta, convívios cada vez mais raros…

Importa, pois, contar a história, para que, dela tomando consciência, os entusiasmos renasçam, o pundonor se renove e a colectividade passe a ser, de novo, a alma do lugar e da aldeia.

Há, por outro lado, a necessidade de se salvaguardar o espólio dessas colectividades: programas, correspondência, convites, fotografias, plantas…

Neste âmbito, a Câmara Municipal de Cascais encetou, desde há vários anos, o processo de albergar no Arquivo Municipal toda essa documentação, nem sempre passível de ser bem salvaguardada nas próprias sedes. Aliás, foi, em boa parte, a informação aí colhida, nesse espólio, que possibilitou a edição do II volume Associações com História (1945-1973), apresentada no sábado, 21 de Janeiro, em sessão solene, muito participada, no Centro Cultual de Cascais.

fotografias da cerimónia e de uma das páginas do livro

João Henriques, director do Departamento da Cultura da Câmara Municipal de Cascais, especificou o processo agora levado a bom termo, depois de se haver já publicado, em 2018, um I volume, com a história das associações cuja criação se situou entre 1886 e 1941. O presidente do Município salientou a importância das colectividades como dinamizadores da actividade das populações. Por fim, foi solenemente entregue um exemplar do volume ao representante de cada uma das 20 associações cuja história se conta no volume em aprecio.

Da cerimónia, algum voto resulta a formular? Sim. Porventura dois:

1º) Que as entidades – tanto públicas (Câmara e Juntas de Freguesia) como privadas – compreendam o elevado significado social do regular funcionamento das colectividades e que, em consequência, não regateiem apoios financeiros, pois é, geralmente, por acção de ‘carolas’ que essas associações se mantêm e realizam.

2º) Que a população das respectivas aldeias veja na colectividade a sua ‘casa’, o lugar pronto a acolher as suas inicitivas; inscreva-se como sócio e colabore nas iniciativas.

Se aplaudimos a publicação? De mãos ambas! No desejo de que outos municípios do País possam vir a inspirar-se e a ter disponibilidade para levar a cabo idênticos empreendimentos.

1 COMENTÁRIO

  1. A sabedoria popular e anónima é bem coerente em quase todos os aforismos de que se vale: “a união faz a força”.
    Será por isso que as colectividades de portugueses no estrangeiro, têm ajudado tanto a sedimentar esse sentimento de união ao país de origem.
    Mas importa cá. Já uma Amiga comum me tinha contado com desânimo, antes de falecer, que a Associação de que fazia parte, estava parada, como tantas outras. E falava exactamente de um entusiasmo inicial que se ia perdendo pelo caminho…
    Este excelente texto acaba por lembrar a questão e dar conta de que, com esta iniciativa de recolher e compilar a informação das actividades destas associações, é como activar a memória, prolongar-lhes a vida e deixar o caminho desimpedido para novos projectos.

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