“Malhou” na mulher porque ela lhe disse não ter dinheiro para as despesas…
– A “gaija” se calhar pensa que estou rico ou que herdei!
Isto foi ouvido pelas duas vizinhas do casal, que do quintal, observaram sem intervir. É que o “moina” já vinha com o vinho, não fosse sobrar para alguma delas, ou para as duas e os respectivos maridos terem que intervir. Seria uma tragédia. O melhor era ir depois do “malhanço” e tentar ajudar em alguma coisa. Viram que o marido da amiga já estava fora de portas e chamaram:
– Ò Tininha!… Podemos entrar?
Foram entrando é claro. Dentro, a vítima tentava disfarçar os vermelhos da face com uma toalha. As amigas tiram-lha da mão para observarem bem, uma exclama:
– Havias de meter os cornos ao filho da puta! “Atão” isto faz-se?
Olhava com espanto, presume-se… interrogando a outra amiga que com a mão na boca, tinha um ar de ter acontecido um terramoto. Efectivamente a cara da ofendida e barbaramente agredida, apresentava muito sangue pisado, fundamentalmente na zona dos olhos, completamente raiados de sangue, inchados e a ficarem negros. Fazem-na falar para ver se encontram uma “razão” para este acto troglodita. O que sabiam era que anteriormente não era assim, batia-lhe, mas não desta forma, “ai que tinha de haver “puta” a entrar na vida deles, tinha”. O “gajo” sempre bebera quase tudo que ganhava, mas nunca tinha batido nela como agora. A “Tininha” tinha que fazer queixa dele no posto da policia! Lá isso é que tinha. E vão, as duas de incentivar ao acto, no que é negado pela ofendida, que diz:
– Não me façam isso. É que ele foi despedido! Ele e mais 26 na empresa.
– Mas isto não pode ser! Mais uma razão para ele não te bater! Tu é que és o sustento da família, sempre foste e agora mais… Mas não pode o “corno” fazer o que faz!
– Deixa lá. – Diz a outra, tentando contemporizar e acalmar a situação.
– Deixa andar, deixa andar e dá no que dá! Olha para esta cara! Pode lá ser?! Olha, vais ao centro de saúde e vais ter que dizer o que te aconteceu. Se não dizes, dizemos nós. Amanhã tens que ir trabalhar e como é que vais atender os clientes no café? O Sousa não te deixa trabalhar neste estado! Entras de baixa e ele mete outra no teu lugar.
A outra amiga estava de regresso da cozinha com gelo num saco de plástico que colocou na mão de Tininha. Esta levou o gelo à face… fez uma “careta” de dor, mas deixou o gelo em contacto com a pele.
– Vá lá. Veste-te para irmos. Não vais com essa camisa de dormir. Lá por ser domingo já devias estar vestida. Não me digas que o gajo te levou p’rá cama? O “corno” é mesmo porco, depois de fazer o que lhe interessou “malha” na mulher!
– Não é nada disso! Estava a limpar o pó e disse-lhe que precisa de dinheiro para dar ao Carlitos, para comprar uns materiais para levar para a escola. Aí é que foi a desgraça toda.
– Quer dizer, o filho é dele, mas tu é que o sustentas? Que pai do “carago” ele é! Havia de ser comigo! Fazia-lhe a cama. Isso é que fazia!
– Olha uma coisa – Diz a outra amiga – o Nandinho da Carla também foi despedido da firma… lá perto de Valongo, sabem?
Todas anuíram.
– E bateu na Carla, só que esta deu-lhe com uma garrafa cheia de vinho na cabeça. O “gajo” levou seis pontos na cabeça e ela disse-lhe que se voltasse a acontecer, ela fazia queixa de violência doméstica e nunca mais ia ver os filhos.
– Pois é, mas não tinha garrafa nenhuma de vinho e fui apanhada pelas costas quando levei a primeira, caí e nunca mais me levantei.
– Corno! Filho da puta! É preciso ser muito cobarde!
– Filho… da puta… o quê?…
Tinha entrado o autor da “proeza”, a cambalear, e a interrogar, em ar de desafio a autora da frase. Maria, olha para ele, tira uma jarra com flores, cheia de água, que se encontrava em cima de uma floreira e… acerta na cabeça do homem com violência e no meio de vidros, flores e água, este cai direito no chão, sem um ai… ali fica inerte. A autora do “disparo” diz em voz aflita:
– Meu Deus o que eu fiz!… Matei o teu homem… Ai minha nossa senhora…
– E agora – diz a outra amiga com as mãos na cabeça.
A ofendida diz com o gelo na cara e a olhar para o homem:
– Não se preocupem. Ninguém fez nada contra ninguém. Ele é que vem com os copos, quis bater-me outra vez, escorregou, caiu e a jarra caiu-lhe em cima… e… partiu-se toda…
Olhando para as amigas:
– Foi ou não verdade o que aconteceu? Vinha bater-me ou não?
– Claro que sim. Nem tivemos tempo de o agarrar…




