TRUMP OU A CARICATURA DELE PRÓPRIO

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Quando o Papa Leão XIV disse que rezava pela paz e condenava todas as guerras, não estava a fazer nada de particularmente inovador. Estava, no fundo, a cumprir o papel do Papa. Ainda assim, conseguiu irritar uma das pessoas mais poderosas do planeta: Donald Trump. É preciso algum talento para se sentir pessoalmente atacado por uma oração genérica pela paz mundial. Mas Trump tem esse talento.

Ao longo da história recente, os Papas conviveram com figuras como Adolf Hitler ou Benito Mussolini sem nunca se terem destacado por apoiar guerras de forma explícita. Nenhum deles, porém, teve de lidar com um Presidente norte-americano que interpreta um apelo à paz como uma afronta pessoal.

Trump, fiel à sua gramática política, respondeu como responde a tudo: com suspeição, ruído e uma dose generosa de “conversa de tasca”. Insinuou motivações políticas, mencionou teorias obscuras, tratou o chefe da Igreja Católica como se fosse mais um adversário num comício.

Leão XIV não recuou. Ainda hoje, disse que “o mundo está a ser destruído pelos tiranos”. Não apontou o dedo. Não precisava. Quando alguém se reconhece na descrição, o problema já não é do emissor.

No cartoons da esquerda, Trump monta uma bomba mortífera e nas redes sociais tenta descrever o papa como perigoso. No cartoon da direita, o Papa diz que só adora Deus e Trump responde dizendo que só adora a ele mesmo.

O ataque ao Papa teve um efeito colateral previsível: abriu a época do cartoon caricatura de Trump. De repente, jornais e plataformas digitais encheram-se de caricaturas onde Trump surge como pateta, nunca esquecendo que estamos a falar de um pateta perigoso. A sátira política, que vive de exagerar o real, tem aqui a vida facilitada. Basta copiar.

No cartoon da esquerda, as políticas de Trump dão cabo da reputação dos EUA como “farol” da democracia no mundo. À direita, Trump proclama a “idade do ouro” dos EUA onde se somam os indícios de corrupção dos oligarcas do regime e do próprio Presidente dos EUA.

A saturação mediática destas imagens sugere algo mais que apenas crítica, mas um enorme desgaste político.

Nestes dois cartoons, publicados em diferentes meios dos EUA, Trump é um tipo que perde parafusos e torna-se num palhaço trágico…

Realce para os “bonecos” de Hélder Dias, o cartoonista português que gostamos de publicar aqui no Duas Linhas.

Três cartoons recentes de Hélder Dias sobre a questão do ataque dos EUA contra o Irão e as críticas feitas ao Papa Leão XIV

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