Ao acusar o Papa de alinhamento ideológico, de fraqueza e até de conivência com agendas políticas, Trump não se limita a discordar com Leão XIV. Ele está a dizer que o líder da Igreja Católica deixou de ser uma figura espiritual e passou a ser tratado como mais um adversário da política americana.
Não contente, Trump insinuou que a eleição papal não passou de conveniência geopolítica. Pouca importa se o que Trump diz é mentira ou não, porque a ideia é maldizer tudo e todos os que o contrariem, neste caso, corroer a legitimidade do Papa.

Este tipo de discurso assenta numa lógica simples: toda a autoridade que o critique deve ser imediatamente desqualificada. Já vimos a mesma técnica discursiva ser aplicada por outros políticos, um pouco por todo o mundo. Ventura aplica-a com grande sucesso, embora talvez não seja capaz de ir tão longe como o seu mestre.
O resultado é um espaço público muito ruidoso, de grande pobreza argumentativa, de disputa permanente por tudo e por nada. O pior é que as palavras do Presidente dos EUA são disseminadas globalmente e, mesmo que algum membro do Governo americano não concorde com o que foi dito, como os maluquinhos não se contrariam, essas palavras acabam por definir a agenda política dos EUA, condicionam os movimentos diplomáticos e influenciam o comportamento de outros dirigentes, principalmente dos aliados dos EUA.



