José Joaquim Jesus Oliveira, que nasceu no centro da vila de Cascais em 1932, foi, durante três décadas, funcionário municipal, destacando-se pelo seu trabalho em prol do saneamento básico e teve papel importante no planeamento urbanístico da vila. Deve-se-lhe, por exemplo, o traçado dessa avenida; e a rotunda – que, por feliz coincidência, tem a decorá-la uma oliveira secular vinda dos campos do Alqueva – marca justamente o início da chamada 2ª circular.
Coberta com a bandeira do Município, a lápide foi solenemente descerrada pela filha do homenageado e um dos netos.
O presidente da Junta de Freguesia, Francisco Kreye, enalteceu a figura do Engº José Oliveira, cascalense nado e criado em Cascais, técnico camarário a vida inteira. Passava, nesse dia, o 1º aniversário do seu falecimento e, por isso, mais significativa ainda se tornava a cerimónia, sublinhou.

José d’Encarnação, de quem partira a proposta desta homenagem – prontamente aceite pela Junta de Freguesia de Cascais Estoril e Câmara Municipal – corroborou as palavras do presidente da Junta, salientando como, durante o período não fácil de 1974 e 1975, o homenageado suprira em funções vários dos seus companheiros de trabalho, e terminou contando uma das cenas por que ele passara:

«Um dia, ao entrar nos Paços do Concelho, vestido de fato como sempre, um varredor que ele bem conhecia dirigiu-se-lhe: “Fascista!”. O engenheiro parou, tirou a sua caneta Cross do bolso, deu-a ao varredor e disse-lhe: “Tome a minha caneta e vá para o meu gabinete fazer o meu trabalho e dê-me a sua vassoura, que eu fico aqui a fazer o seu”. O varredor pediu-lhe desculpa e foi cada um à sua vida».
Em nome da família, agradeceu, emocionada, a filha do homenageado, Ana Borges. A cerimónia – que teve bem luzida assistência de familiares, amigos e admiradores, numa feliz ‘aberta’ que as condições atmosféricas permitiram – foi encerrada pelo Presidente da Câmara Municipal, Nuno Piteira Lopes, que, no seu discurso, reiterou o regozijo do Executivo Municipal por ter apoiado a iniciativa da Junta de Freguesia, nomeadamente por se tratar da homenagem a um dedicado funcionário municipal de toda uma vida, cascalense que se interessou pela problemática da circulação na vila. Aliás, acrescentou, uma rotunda convida a isso mesmo, a circular, a facilitar a comunicação; e manifestou o seu contentamento pessoal por se registar esta coincidência entre a existência de uma oliveira e o nome do homenageado, porque ele, actual presidente, fora uma das pessoas, na Câmara, que mais pugnara pela colocação de oliveiras nas rotundas da vila.




