PORTUGAL RECONHECE A PALESTINA

SO WHAT? QUE CONSEQUÊNCIAS ISSO IMPLICA?

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O reconhecimento do Estado da Palestina por Portugal é um passo político que merece ser celebrado. Mas chega tarde. Tarde demais, talvez, para ter efeitos práticos sobre a tragédia em curso. Israel já decidiu ocupar militarmente todo o território, destruindo Gaza até ao alicerce, preparando a anexação da Cisjordânia e seguindo os apelos da extrema-direita que sustenta o governo de Benjamin Netanyahu.

Outros países que recentemente reconheceram a Palestina não se ficaram apenas pelo gesto simbólico: juntaram-lhe medidas concretas. Boicotes a trocas comerciais, restrições à importação de produtos provenientes dos colonatos ilegais ou até o cancelamento de contratos de compra e venda de armamento com Israel. A mensagem é clara: reconhecimento, sim, mas acompanhado de consequências políticas.

Portugal, até agora, não deu sinais de querer ir por esse caminho. Limitou-se ao reconhecimento formal, um gesto que soa bem em discursos na Assembleia Geral da ONU, mas que pouco altera no terreno. É como se bastasse assinar um papel e ficar de consciência tranquila.

Mas não basta. Ao lado do reconhecimento da Palestina, deveria haver também um apoio firme ao Tribunal Penal Internacional. O TPI já emitiu mandados de captura contra Benjamin Netanyahu e um ex-ministro da Defesa, acusando-os de responsabilidade por crimes contra a humanidade e genocídio contra o povo palestiniano. Ignorar esse processo judicial, ou não lhe dar o devido respaldo político, é fechar os olhos à única instância internacional que procura responsabilizar os autores de crimes cometidos a coberto da guerra.

Netanyahu e Galante, acusados de genocídio pelo TPI. Fotomontagem.

Se o reconhecimento da Palestina não for acompanhado de sanções, pressões diplomáticas e apoio à justiça internacional, arrisca-se a ser apenas um gesto vazio. Um gesto bonito para a fotografia, mas inútil para travar a destruição de um povo e a colonização ilegal do território do Estado da Palestina.

a destruição é total

(outros artigos sobre Arquivo de reconhecer o Estado da Palestina – Duas Linhas)

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