VIOLÊNCIA DA EXTREMA-DIREITA

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Não sabemos se o ator Adérito Lopes, agredido à porta do teatro A Barraca, conseguirá identificar quem o agrediu. O que as notícias dão como confirmado é que há um detido, um homem de 20 anos que pertencerá ao ramo português dos Blood & Honour, um grupo neonazi internacional.

A organização Blood & Honour está ativa em Portugal desde pelo menos 1998. A Europol e o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) referem‑se com clareza à presença dos Blood & Honour em Portugal, juntamente com outros grupos neonazis como os Portugal Hammerskins ou Nova Ordem Social.

O RASI de 2018 menciona explicitamente os Blood & Honour. O RASI de 2023 volta a alertar para o agravamento da ameaça de movimentos neonazis e identitários, com referência à retoma da atividade de grupos tradicionais, embora sem nomear especificamente qualquer grupo.

A percepção que se tem é que esses grupos são vigiados mas que não há pressão policial ou judicial para acabar com eles. Talvez a tática seja infiltrá-los para se perceber como evoluem. A ser assim, não há modo de evitar que estas escaramuças prossigam. Podem ser atos sem grande premeditação, sem conhecimento prévio de grande número de pessoas e, assim, de difícil prevenção.

Devido às agressões, o espetáculo de A Barraca está suspenso. Adérito Lopes, que interpreta Camões na peça “Amor é um fogo que arde sem se ver”, foi hospitalizado. A ironia é que estes agressores neonazis atacaram um ator que interpreta neste espetáculo um dos símbolos nacionais. A peça narra a emocionante jornada de Luís de Camões, entre amores, naufrágios e a criação de Os Lusíadas.

Para o próximo domingo, está convocada uma manifestação contra a violência neonazi, que terá lugar à porta do teatro A Barraca, pelas 16 horas.

recorte de notícia publicada pelo Diário de Notícias

Na visão dos artistas, a situação não é isolada. “Não é um caso isolado. Sabemos que esta onda de ataques a migrantes, pessoas racializadas, trabalhadoras, pobres e trabalhadores da cultura não vai ficar por aqui. Está a crescer alimentada pela impunidade judicial, pelo silêncio e pela desigualdade económica”.

1 COMENTÁRIO

  1. Que as pessoas simpatizem com diferenters áreas ideológicas e o proclamem, é um direito que lhes cabe pela própria democracia.
    Mas é por ela, também, que qualquer tipo de violência exercido sobre individuos de ideologia diferente, tem de ser sujeito a julgamento judicial e a cumprimento de pena, se for o caso.
    Acresce que o indivíduo atacado ficou impossibilitado de trabalhar não se sabe por quanto tempo. Um actor precisa do rosto, da dicção.
    Um trabalho na área da Cultura que beneficiava cidadãos de bairros vizinhos nela interessados.
    A lei tem de ser igual para todos. Montesquieu dizia que “a liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem”.

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