Foi suspensa a greve de fome iniciada por mais de vinte reclusos do Estabelecimento Prisional de Monsanto. Segundo a Associação Portuguesa de Apoio aos Reclusos (APAR), a greve foi suspensa depois de terem sido contactados pela APAR que se comprometeu “a lutar pela reposição da legalidade dentro deste Estabelecimento Prisional”.
Num comunicado enviado para órgãos de comunicação social, a APAR anexou uma declaração escrita dos reclusos, que avisam voltar à luta caso nada seja resolvido.

O compromisso da APAR implica tentar que não se repitam medidas abusivas, absurdas e ilegais em prática neste estabelecimento prisional, como serão os casos das dificuldades dos reclusos frequentarem a escola, de usarem a biblioteca, de poderem receber um livros, de poderem praticar exercício físico, além do uso e abuso de agressões físicas por parte dos guardas prisionais.
Há neste momento cerca de 50 queixas de reclusos enviadas para a direção do estabelecimento prisional e de outras entidades mas “todas foram arquivadas”, lê-se no comunicado da APAR.
RECLUSOS QUEREM QUE SE INVESTIGUEM AS ACUSAÇÕES
Na passada segunda-feira, 30 reclusos preencheram o boletim de início de greve de fome, mas nove já tinham desistido entretanto. Nesse dia, uma carta aberta dos reclusos foi enviada a várias entidades, onde eram descritas as razões da greve de fome.
A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) contrariou as afirmações dos reclusos, dizendo que os reclusos reclamam de “regras que decorrem da regulamentação do regime de segurança em que se encontram”. Diz a DGRSP que não faltam médicos nem enfermeiros na cadeia de Monsanto, que há imensas regalias como ginásio, desporto ao ar livre, escola, atividade laboral e acesso à biblioteca.
Mas, dizem os reclusos, que desde a pandemia que a utilização do ginásio se mantém restrita, que “a biblioteca está fechada, a atividade de squash deixou de poder ser praticada, o pátio de desporto e o ginásio estão a funcionar minimamente e apenas para alguns reclusos”.
Os reclusos pedem “que as entidades competentes ajam de forma imediata e procedam a uma investigação” sobre as condições de vida nesta prisão.
Há ainda mais um pormenor neste rol de acusações. Dizem os reclusos que alguma “correspondência é negada pelo Estabelecimento Prisional do Monsanto, o que faz com que a mesma volte para trás sem argumento válido” e também sobre isto solicitam uma investigação.



