O ÁRABE DO FUTURO

O livro foi oferecido aos meus filhos por uma das tias. Mas quem gosta mesmo de BD cá em casa sou eu. Já o li. Nunca antes me tinha deparado com uma autobiografia desenhada. Mas a verdade é que Riad Sattouf está a desenhar a sua vida.

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Este é o quinto volume e tem 176 páginas. Se os quatro anteriores forem da mesma dimensão, temos aqui uma obra de peso. O quinto volume começa no capítulo 26, está o jovem Riad com 14 anos. A ação decorre no ano de 1992.

Riad conta-nos um drama familiar, que é o seu e que, talvez, possa ser replicado por muitos outros casos. Filho de um sírio e de uma francesa, vivia em Rennes, com a mãe e o irmão Yahya. O outro irmão, Fadi, tinha sido levado pelo pai para a Síria. O casamento estava desfeito e o homem tinha levado o mais novo consigo. Os dramas de uma família “mestiça”, num país europeu.

Neste volume, Riad conta-nos como foi impossível recuperar a criança raptada pelo pai. A Síria era um terreno hostil para a França, nenhuma diplomacia foi tentada e a justiça francesa não tem jurisdição fora de fronteiras.

O autor fala-nos também da adolescência solitária, do medo da rejeição, do medo dos skinheads.

Foi por esta altura que Riad descobriu a banda desenhada. Absorvia tudo o que se publicava de Bilal, Druillet, Moebius. Não só o traço, mas também as palavras. A BD conta histórias e as palavras têm mais força quando aliadas a personagens, heróis ou vilões.

A história é boa e interessante. Ficamos a perceber como se molda o “árabe do futuro”, entre as influências das diferentes tradições familiares, o peso dos preconceitos raciais, num sistema de ensino europeu.

Depois de ler o volume 5 apetece-me ir à procura dos outros quatro. Mas teria de fazer contas, a BD é cara. Os livros são caros, de um modo geral. O desenho de Sattouf faz lembrar a caricatura, com elementos fisionómicos algo exagerados. Todas as tiras são a duas cores (para além do branco e preto): azul, vermelho. Uma mancha de cor mais próxima da bandeira francesa que da bandeira da Síria.

Riad Sattouf faz parte da equipa que desenha para o jornal satírico Charlie Hebdo.

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