A Polícia Judiciária deteve seis indivíduos ligados a um grupo de extrema-direita que dispunham de um autêntico arsenal, incluindo armas de fogo produzidas com recurso a impressoras 3D. Entre os detidos encontra-se um graduado da PSP, atualmente em funções na Polícia Municipal de Lisboa. Um juiz de investigação criminal decretou, entretanto, prisão preventiva para quatro dos seis detidos, um deles o agente da PSP. Este caso, por mais alarmante que seja, está longe de ser um incidente isolado. Na verdade é o resultado de anos de negligência e normalização de discursos de ódio e intolerância.
Há muito que se acumulam evidências sobre a infiltração ideológica da extrema-direita nas forças de segurança, com casos reportados de elementos da PSP e da GNR que partilham propaganda racista, participam em manifestações de cariz nacionalista radical e exibem símbolos associados ao fascismo e ao supremacismo branco. Nada disto é novo. O que é novo é a evidência palpável de que alguns desses indivíduos estão a ultrapassar o campo da retórica e a preparar-se para a violência organizada.
Durante anos, os sinais estiveram à vista: a proteção desproporcionada dada a manifestações de inspiração nacionalista proporcionaram o crescimento do Chega, a complacência perante provocações de rua e atos de intimidação racial protagonizados por grupos ideológicamente próximos do Chega, o desinteresse em investigar agressões policiais contra pessoas negras ou imigrantes, raramente foram suficientes para fazer soar alarmes. Mais do que indiferença, assistimos a uma normalização progressiva de um discurso que associa segurança à exclusão, ordem à repressão, e identidade nacional à xenofobia.
O que torna esta realidade ainda mais perigosa é a posição de poder que os agentes das forças de segurança ocupam. Quando elementos treinados, armados e fardados como detentores de autoridade pública se radicalizam ideologicamente, estamos perante uma ameaça real à democracia. Não basta deter indivíduos, é essencial identificar e desmantelar redes. Quem os recrutou? Quem os protegeu? Quem os sustenta? Que outros continuam infiltrados nas corporações?
O Estado português falhou e continua a falhar em adotar mecanismos de controlo, fiscalização e formação dentro das suas próprias estruturas. Falha quando ignora denúncias, quando arquiva processos disciplinares, quando permite que as redes sociais de agentes públicos se tornem palcos de apologia ao ódio. Falha também quando tolera o crescimento de movimentos que atacam os pilares fundamentais do regime democrático sob o pretexto de liberdade de expressão.
A radicalização de forças policiais não pode ser tratada como uma questão menor. A história da Europa e do mundo está repleta de exemplos em que o autoritarismo se firmou pela via da captura das instituições repressivas do Estado por ideologias extremistas. Portugal não está imune, como é evidente.




Forças de segurança, Forças Armadas, Poder Judicial, Bombeiros Sapadores, tudo infiltrado pela extrema direita. Entretanto o Chega aproveita, distancia-se afirmando-se como direita “democrática” e usa os acontecimentos como trampolim para chegar ao poder… Chegará o Chega?