A POLÍTICA COM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Um jornalista brasileiro infiltrou-se no 2º Seminário Nacional de Comunicação do Partido Liberal (PL), o partido de Jair Bolsonaro. Era uma reunião à porta fechada, dedicada em exclusivo a militantes ou a convidados especiais.

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O tema do encontro era como usar a Inteligência Artificial (IA) para o marketing político e a propaganda do PL. Os mentores da reunião foram executivos das big techs, como a Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp) e o Google.

No fundo, explica o jornalista Sérgio de Sousa na reportagem “Treinamento de Guerra” que publicou no Intercept Brasil, tratou-se de um seminário onde se aprendeu a manejar novas ferramentas para condicionar a opinião pública. Uma infinidade de possibilidades que já sabemos que existem, mas que a maioria das pessoas está longe de saber utilizar.

Eles viram como é possível produzir imagens que parecem fotografias e transmitem exatamente a mensagem desejada em publicações nas redes sociais, vídeos em que personagens que se assemelham a pessoas reais falam exatamente o que queremos que as pessoas oiçam.

Quem anda pelas redes sociais já se cruzou com convites para aderir a determinados serviços capazes de, por exemplo, transformar fotografias em vídeos curtos. Até os mortos podem voltar a falar. Imaginemos que, por exemplo, pegamos em fotos de Hitler e o pomos a dizer aquilo que queremos. Pois, neste seminário da ultra-direita brasileira, os interessados experimentaram este tipo de tecnologias, sentaram-se com profissionais e aprenderam a usar estas ferramentas de IA.

As big techs partilharam com os participantes o “caminho das pedras” para usar suas ferramentas mais novas e poderosas. Essa relação de proximidade foi reforçada por Bolsonaro, que discursou no encerramento do encontro, aos gritos de “volta, capitão” vindos da plateia. O ex-presidente não deixou dúvidas ao afirmar que as empresas de tecnologia estavam “do lado certo”.

Jair Bolsonaro no 2º Seminário Nacional de Comunicação do seu Partido Liberal

A nova aposta da extrema direita é justamente investir no potencial que a inteligência artificial oferece para a comunicação política. Para as empresas de tecnologia da informação, os partidos políticos serão “apenas” clientes, embora no caso do Brasil e de Bolsonaro haja aparentemente maior proximidade entre as partes. Eventualmente, haverá mais por detrás dessa aparente proximidade. Como já vimos com Elon Musk (X), controlar o poder não é uma ideia estranha para as big techs.

Em 2026, o Brasil vai ter novas eleições presidenciais e Bolsonaro aposta tudo para tentar ser reeleito. Como não tem obra válida para mostrar do seu 1º mandato, está a criar um exército para combater nas redes sociais e estas novas tecnologias serão armas essenciais para essa campanha.

…E EM PORTUGAL

Com estas ferramentas é possível criar realidades com pseudofactos, mentir com quantos dentes se tem e, com isso, fabricar a “verdade”. Já vimos isto acontecer antes, mas dava imenso trabalho. Agora vai ser mais fácil e ainda mais verosímel.

Em Portugal, os caminhos dos políticos da extrema-direita não são diferentes. Como já vimos antes, também, os métodos, as táticas, os slogans e até os discursos são copiados de outras campanhas, como as de Trump ou de Bolsonaro e adaptadas pelo Chega às “realidades” inventadas para promover a exaltação patrioteira. No futuro não será diferente. Em Portugal, a extrema-direita está permanentemente em campanha. É certo que esse esforço venha a ser reforçado com recurso às novas tecnologias de IA.

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