A Guerra comercial dos EUA com a China tem especial incidência na área tecnológica. Quem não se lembra da questão do Tik Tok ser ou não um veículo de espionagem chinês? Ou do caso da Huawei, cujos telemóveis seriam igualmente ferramentas de espionagem chinesa? As pressões dos EUA para que a Europa impedisse os equipamentos 5G da Huawei foram e são enormes. Na América, foi proibido por decreto fazer negócios com a Huawei.
A Huawei dependia fortemente de componentes americanos, especialmente chips (como os da Qualcomm) e de software (como o Android da Google). De um dia para o outro, perdeu o acesso a essas tecnologias, o que afetou gravemente os seus smartphones e equipamentos de rede.
A primeira consequência dessa medida foi que as empresas americanas como a Qualcomm, Intel, e Google perderam um dos seus maiores clientes.
A segunda consequência foi a Huawei acelerar o desenvolvimento de alternativas próprias, como o sistema operativo HarmonyOS e fábricas próprias de chips, em colaboração com outras empresas chinesas.
A terceira consequência foi uma quebra de vendas da Huawei nos mercados ocidentais. A empresa teve mesmo de lançar novos produtos sob uma nova marca, para contrariar a propaganda negativa que os americanos disseminavam.
A partir daqui, a China Investiu massivamente na produção nacional de semicondutores. Está a tentar tornar-se autossuficiente, o que pode levar, a prazo, a uma bipolarização tecnológica: um mundo com dois ecossistemas tecnológicos separados (um liderado pelos EUA, outro pela China).
No meio desta guerra, a Europa tenta escapar entre as balas perdidas. A Europa está numa posição delicada, porque depende dos dois lados em confronto. Depende dos EUA para software (Google, Microsoft, etc.) e da China para hardware (smartphones, baterias, painéis solares…).
Os EUA continuam a pressionanar a Europa a não usar tecnologia chinesa, mas o mercado chinês é essencial para empresas europeias como a Volkswagen, Siemens ou a Airbus, por causa dos semicondutores fabricados pela China.
Provavelmente, a Europa vai ter de escolher um dos lados, o que significa ficar ainda mais dependente do bloco a que aderir. Apesar das ‘tropelias’ de Trump e das ameaças que o Presidente dos EUA despoletou contra territórios europeus, caso da Gronelândia, por exemplo, é difícil imaginar que os atuais dirigentes europeus se revoltem contra quem sempre mandou neles. O hábito faz o monge, e a Europa há muito que veste ao gosto americano.
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